Faster, de George Tillman Jr.

Dwayne Johnson, nome do wrestler The Rock, interpreta Driver, leia-se Terminator. Acabado de sair da prisão, onde passou os últimos dez anos e ganhou a fama de implacável, recebe um automóvel, um revólver e uma lista a abater. Sem remorsos ou distracções, percorre as capelinhas e mata o capelão de cada uma delas, riscando da lista os responsáveis pelo assassínio do irmão.

Minimalista, Faster segue o cheiro a cordite do Ruger Super RedHawk .454 Casull de cano curto e do escape do Chevelle de 1970, quase como um videojogo de shoot em’up. A juntar as peças está uma dupla de polícias de costas voltadas e agenda própria, mas o jogo é tão fácil que o concluímos bem antes deles. Na peugada do herói está também um excêntrico e abastado assassino contratado, descobrindo-se no final que ter pose não anula ser idiota (já liberto do contrato pelo mandante, quebra à mulher que ama a promessa de desistir, quando afinal só cobra um dólar pelo trabalho).

À partida, podíamos estar perante um Kill Bill (2003-2004) simplório, mas é precisamente aqui que a desilusão se instala. Dwayne Jonhson está fisicamente tão imponente que as dificuldades parecem ter medo dele. Em vez de extremos combates corpo a corpo ou perigosas perseguições de automóvel, a poupança narrativa é acompanhada da ausência de storyboards. Tudo o que Faster precisa é de um mapa, para que o herói possa ir do ponto A ao B e descarregar a sua arma.

Salma Hayek foi substituída por Carla Gugino a uma semana do início das filmagens e o realizador Phil Joanu deu lugar a George Tillman Jr., um afro-americano que, na última década, apenas realizou um documentário sobre o rapper Notorious BIG. Breves aparições de Tom Berenger, Mike Epps, Xander Berkeley, Maggie Grace, Moon Bloodgood, Jennifer Carpenter e Adewale Akinnuoye-Agbaje. Billy Bob Thornton devia ter tido a mesma sorte.
Faster 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo

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