Domingo, Fevereiro 06, 2011

Entre Segredos E Mentiras, de Andrew Jarecki


Em 2003, Andrew Jarecki assinou Capturing the Friedmans, um impressionante documentário sobre uma típica família da classe média alta que escondia um segredo terrível, a envolver abuso de menores e distribuição de pornografia infantil. O filme tratava de pedofilia e da falsa aparência de normalidade no seio familiar, com isenção e frieza, servindo-se exclusivamente de imagens de arquivo filmadas pelos próprios Friedmans ao longo de duas décadas.
All Good Things move-se na mesma esfera, com uma família respeitável que esconde segredos inconfessáveis. Baseado na vida de Robert Durst, que gostou do resultado, o filme versa sobre o herdeiro de uma fortuna baseada no ramo imobiliário. Só depois do casamento, a sua jovem esposa começa a aperceber-se de que as rosas têm espinhos e que as repentinas mudanças de humor dele, com origem num trauma da infância, podem virar-se contra ela. É o mais mediático caso de desaparecimento do Estado de Nova Iorque, sem quaisquer pistas desde 1982.
Andrew Jarecki manobra o guião de Marcus Hinchey e Marc Smerling com uma mestria desconcertante, filtrando a informação a conta-gotas, deliciando-se com cada pista e deixando-a marinar o suficiente antes de libertar mais uma pérola. A história é transmitida através de sensações, impressas no público através de uma excelente direcção de fotografia, do jogo de cores e música, de interpretações calculadas, fazendo dele um objecto ambíguo e indistinto, uma pintura cheia de sombras que nunca chegam a receber quantidade suficiente de luz.
Kristen Dunst veio directamente do centro de reabilitação, onde foi tratada por depressão, para as filmagens (o contrário também faria sentido), Ryan Gosling continua a tratar todos os seus personagens como parcialmente aluados (desta vez, pelo mesmo, é adequado que o faça) e Frank Langella é um patriarca de respeito.

All Good Things 2010

2 Comments:

Blogger notjustanotherblog said...

Não sou grande fã da Kristen Dunst, mas o tema que dá o mote ao filme parece-me interessante, além de que será sempre um prazer rever o excelente actor Frank Langella, que imprime em cada personagem que assume (mesmo em filmes cuja personagem é secundária como em "Lolita") uma densidade que é fora do comum! Possivelmente só já o verei em DVD, mas já apontei o nome!
Kiss

2/28/2011 10:47 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

eu, então, sou grande fã da Kristen desde a Entrevista Com O Vampiro e acho que é boa actriz, para além de me derreter por dentro. já viste o romance juvenil crazy/beautiful?

este All Good Things surpreendeu-me pela sua condução ondulante, sentimos estar ora num barco, ora num sonho, mas não propriamente na realidade.

3/01/2011 8:06 AM  

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