Terça-feira, Janeiro 25, 2011

A Velha Raposa, de Henry Hathaway

O único Óscar da carreira de John Wayne chegou-lhe com A Velha Raposa (1969), título português afectuoso para um personagem chamado Rooster Cogburn, sendo que rooster se traduz por galo e não raposa. Tão avançado nos anos como no ventre, Wayne voltava a fazer de si próprio, um pouco mais rabugento do que o habitual, a ter de aturar uma determinada adolescente que o contratou para capturar um fugitivo, culpado do homicídio do pai dela. O galardão pode muito bem ter-lhe sido atribuído por tanto ele como o género western estarem a ficar obsoletos, mas também pode explicar-se pela oportunidade dada ao guião de Margueritte Roberts, que à época, se encontrava na lista negra.

Adaptação do romance de Charles Portis, publicado no ano anterior, A Velha Raposa transformava uma história fria de vingança numa quase bem disposta versão de Tom Sawyer no feminino. Em vez de chorar a morte do pai, a menina de 14 anos que iria contratar o velho caçador de recompensas é teimosa e incansável, mas muito pouco dada a emoções. Não está habituada a dormir no chão mas não se lhe ouve um queixume, atravessa um rio a cavalo, ficando apenas com a cabeça de fora da superfície da água, e não se constipa por andar o resto do dia em roupas encharcadas, é mordida por uma cobra venenosa e não tem de amputar o antebraço (ao contrário do livro). A banda sonora de Elmer Bernstein espelha, aliás, esse cenário, cumprindo um country bem disposto, em vez de marcar o passo com o título, assinando uma partitura minimamente implacável (True Grit traduz-se à letra como verdadeira dureza ou, parafraseando para um personagem, duro de roer).

Para além de John Wayne e Kim Darby (a adolescente, tendo a actriz 22 anos à época das filmagens), também integram o elenco Dennis Hopper e Robert Duvall. Hopper embaraça-se a si próprio com uma pavorosa prestação e, mesmo num papel tão secundário e curto, prejudica a credibilidade da cena que compõe. Duvall é também secundário, mas faz o seu papel com uma perna às costas. No cômputo geral, uma história simples e uma realização baça e convencional. Henry Hathaway, o realizador, tem como maior título da sua carreira Niagara (1953), um thriller com Marilyn Monroe.

True Grit 1969

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