Takers, de John Luessenhop

Reminiscente de Ocean’s 11, Takers é uma história de assaltantes a bancos. Cinco exímios profissionais, confiantes e com código de honra, encetam um assalto por ano, suficiente para manterem o nível de vida e permanecerem incógnitos. O assalto do presente ano está despachado, mas a hora de hibernação terá de ser adiada. Ghost, ex-companheiro, acaba de sair da prisão e tem outros planos.

Takers prima por uma montagem rápida, uma direcção de fotografia experiente e uma banda sonora impulsionadora; o ritmo e estilização das cenas de acção não desmerece, revelando-se capaz de manter a ilusão de entretenimento quase até ao fim. Este é o segundo filme de John Luessenhop, que não filmava há dez anos (Lockdown, 2000). Rodeou-se de quatro argumentistas e concebeu uma história interessante, mas que se lastima recorrer a tantas muletas e clichés, de Heat – Cidade Sob Pressão, a Set it Off e Dead Presidents. Um assalto, uma investigação policial, um segundo assalto, intervenção policial e tiroteio, fuga e o final num aeródromo, mais parece Heat 2. Não se entende como é que os detectives que investigam os assaltos a bancos também fazem rusgas a traficantes de droga e é a coação a testemunhas que faz avançar o caso. A situação do polícia corrupto é tão transparente que nem se aceitam apostas em relação ao seu desfecho.

Como principal calcanhar de Aquiles, aponta-se o simplismo das personagens, meros peões de um jogo de xadrez que os despe de detalhes. Dos cinco ladrões, sabemos apenas que um deles ficou noivo e outro tem uma irmã toxicodependente. Paul Walker, o nome mais sonante do elenco, é o atirador de longo alcance, salva o dia duas vezes e é quem monta as peças da traição, mas sai-lhe tudo da cartola; tirando essa intervenção e a de lançar a carrinha ao poço, é quase um figurante. Hayden Christensen (gosta de tatuagens e toca piano) e os cantores Chris Brown e T.I. limitam-se a picar o ponto e Zöe Saldaña fica à porta (convém não piscar). Matt Dillon não estava tão em forma desde Wild Things (1998), ao lado do confiável Jay Hernandez

Takers 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo
2 Comments:
Até gostei. Achei-o demasiado cliché, como dizes, mas vê-se bem.
sim, o filme entretém porque está bem filmado e a história é enérgica, mas tem cenas muito previsíveis, como o bófia corrupto morrer como herói.
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