Sábado, Janeiro 01, 2011

Imparável, de Tony Scott

Tony Scott sempre gostou de bólides. Já acelerou aviões (Top Gun –Ases Indomáveis, 1986), automóveis (Dias de Tempestade, 1990), submarinos (Maré Vermelha, 1995), máquinas do tempo (Déjà Vu, 2006) e carruagens do Metro (Assalto Ao Metro 123, 2009), por isso era uma questão de tempo até sentar-se ao comando de um pouca-terra.

Baseado num incidente real, de 2001, em que um comboio sem maquinista atravessou três Estados, Imparável já circulava pelos estúdios desde 2004, comparavelmente sem realizador. A Twentieth Century Fox regateou os ordenados de Denzel Washington e de Tony Scott, ao ponto do actor chegar a saltar fora, e desconhecem-se os incentivos oferecidos para o seu regresso. A contratação de Chris Pine foi uma sugestão dele, que trabalha aqui pela quinta vez com Scott.

Já se sabe que a locomotiva é a encarnação da força bruta, um aríete pronto a esmagar o que encontre pelo caminho, com um ímpeto que alia linhas agressivas ao peso e à velocidade. Visualmente impressionante, é o camião TIR dos caminhos-de-ferro. Como corre sobre carris, o seu desempenho cinge-se a percursos pré-delimitados, e é por isso que o seu protagonismo tem sido tão limitado na sétima arte, especialmente desde que os Bancos deixaram de usar a Union Express e os ladrões de viajar a cavalo.

Inteligente, o argumento de Mark Bomback (Die Hard 4, 2007) privilegia o drama humano, enquanto que a direcção de Tony Scott se vira para a atitude intimidativa do comboio. No conjunto, conseguem libertar uma aventura que alia intensidade a simplicidade. Estabelece as causas do acidente, clarifica a ameaça (através da agressão a um veículo imobilizado sobre a linha), apresenta a solução e traça as acções necessárias à sua concretização.

A acelerar de forma gradativa, o filme foca-se nos vários profissionais necessários à resolução do problema, todos eles a debaterem-se com situações de hierarquia, no topo da qual são sempre tomadas as piores decisões. A questão do amor à camisola, face ao (mais do que) eminente desemprego, também não fica de fora. Com uma lente que não se esquece dos postais ilustrados de terreolas minúsculas, Tony Scott aguenta o suspense e o interesse com muito pouca acção física. E é quanto basta.

Unstoppable 2010

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