Toy Story 3, de Lee Unkrich

Toy Story 3 é uma aposta vencedora. Michael Arndt, o oscarizado argumentista de Little Miss Sunshine (2007) é o responsável pela narrativa, mas convém não esquecer que a Pixar é um reino de colaboração. John Lasseter, actualmente o director criativo do estúdio (realizou os dois primeiros Toy Story), e Lee Unkrich (editor desses filmes que transitou para a direcção), juntaram as suas ideias à misturadora.

Andy, o dono destes brinquedos que não mudaram nos últimos dez anos, vai para a Faculdade e tem de escolher quais leva com ele, vão para o sótão ou dará à caridade. Woody é o único escolhido para acompanhá-lo, devendo os outros ser guardados, mas acidentalmente vão parar ao lixo e daí decidem seguir para o centro de dia. Lá, descobrem uma realidade menos feliz e são presos na trama de uma organização pouco criteriosa. Woody terá de salvá-los, mas até lá as peripécias são mais do que muitas. O filme trata simultaneamente do problema do crescimento (de Andy) e da velhice (dos bonecos), tem os seus momentos negros, sensíveis, aventureiros e um final que, para ser feliz, suou sangue e lágrimas.

Desde Monstros e Companhia (2001) e À Procura de Nemo (2003) que não se via um desenho animado tão perfeito: a história, a animação e as vozes mesclam-se num conjunto emocional e eficiente, capaz de agradar a adultos e a crianças, e não há dúvida de que são os pormenores que fazem a diferença: a transição entre bonecos animados e inanimados (na presença de humanos), a fuga de Woody através da casa de banho do centro de dia, a relação entre a Barbie e o Ken (com a voz de Michael Keaton), Buzz em versão salero (com timbre à António Banderas e passos de dança à Joaquin Cortez - uma coreografia de Cheryl Burke e de Driton Dovolani, ao som de Gypsy Kings), a menina cheia de entusiasmo e imaginação que adopta Woody e a quem mais tarde é oferecida toda a colecção. O discurso do papão é o único risco num disco que, de outra forma, nem sequer apresenta estática. Lotso tinha-se explicado com lógica, sobre os brinquedos novos terem de sofrer aquilo que os velhos já tinham enfrentado, numa espécie de prova de fogo, mas o flashback dá o dito pelo não dito, manchando a personagem de um ódio que raia a psicopatia, falta de coração essa exacerbada pela ausência de redenção no final. O CGI é fabuloso, em todos os detalhes, com a toalha a ser apenas manchada pelo bebé assustador, ao qual falta relevo e consistência, numa caracterização à qual parece ter sido devotado pouco tempo.

Toy Story 3 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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