Skyline – O Alvo Somos Nós, de The Brothers Strause

A primeira das invasões extraterrestres que estão prestes a chegar é Skyline, pelas mãos de Colin e Greg Strause, os realizadores de AVP Requiem (2007). No prelo estão Monstros de Gareth Edwards, Battleship de Peter Berg e Batalha em Los Angeles de Jonathan Liebesman.

O céu da madrugada de Los Angeles é iluminado por raios verticais de teleporte, que sugam pessoas às dezenas. Quando amanhece, naves gigantes, então ocultas por nuvens negras, mostram-se em todo o seu magnetismo e continuam a aspirar a cidade. A fazerem apreensões individuais, há criaturas de metal orgânico, pejadas de tentáculos, parecidas com as sentinelas de Matrix (1999) e outras maiores, num cruzamento entre Godzila (1998) e os cetáceos de Starhip Troopers (1997).

Este Dia da Independência (1995) versus Cloverfield (2008) foi financiado pelos próprios irmãos Strause, que assim quiseram evitar o controlo dos estúdios. Com um elenco constituído por actores de televisão, o orçamento parece ter sido todo canalizado para os efeitos especiais e é admirável o que se conseguiu fazer com apenas dez milhões de dólares. Do conceito às salas, demorou menos de um ano, o que não serve de desculpa para um guião tão displicente.

Despertos depois de uma noite de farra, cinco sobreviventes da invasão, na penthouse de uma urbanização de luxo (a rodagem teve lugar no prédio onde Gregg Strause habita), decidem o que fazer. O mais idiota é que os dois homens do grupo, apesar de terem presenciado o poder do inimigo, estão decididos a sair à rua para se abrigarem num barco porque, aparentemente, os aliens não estão a investir sobre a água. Claro que, para além dessa teoria não ter o menor fundamento científico, do apartamento à marina ainda vai um esticão, havendo pelo caminho naves gigantes que aspiram humanos como se fossem grãos de arroz e monstros voadores que vasculham todas as janelas ao alcance. Entre outros.

Os personagens já chegam amaldiçoados à acção. Nem tudo está perdido, mas o impasse é terrível. Começa-se com dois casais e uma pendura, aos quais se junta o porteiro do condomínio e, fugazmente, uma vizinha, mas quem vive e quem morre está unicamente dependente do cachet. Nenhum deles tem características redentoras e, por isso, são descartáveis desde o início. Nem o casal protagonista, que chega ao desfecho, se destaca dos demais. Jarrod e Elaine vêm visitar Terry, que acabou de tornar-se uma estrela no meio discográfico. Terry oferece um emprego a Jarrod, mas Elaine discorda do livestyle de L.A. A namorada de Terry é uma convencida e ele tem um caso com a assistente. Jarrod não sabe para onde virar-se e Elaine está grávida, mas ainda não lhe contou. Palpites?

De resto, fica-se com a sensação de que ninguém pensou muito bem no que queria. Provavelmente, a ideia até nem nasceu dos próprios irmãos Strause, que são supervisores de efeitos especiais do aguardado Batalha de Los Angeles (2011), onde um pelotão de Marines enfrenta um objecto voador não identificado. Desde 1995, os Strause têm-se dedicado aos efeitos digitais para cinema, deixando a sua marca na série Ficheiros Secretos e nos blockbusters O Professor Chanfrado (1996), Titanic (1997), Terminator 3 (2003), O Dia Depois de Amanhã (2004), Quarteto Fantástico (2005), Missão Impossível 3 (2006), 300 (2006), O Estranho Caso de Benjamin Button (2008), O Incrível Hulk (2008), 2012 (2009), Wolverine (2009) e Avatar (2009). Joshua Cordes, aqui argumentista, participou como animador digital em muitos dos projectos mencionados. Liam O’Donnell, co-argumentista, trabalhou apenas em AVP Requiem (2007) e Homem de Ferro 2 (2010). Por outras palavras, nenhum dos envolvidos tem a menor experiência de escrita e isso nota-se nas discussões infantis que são geradas entre personagens e nas decisões estúpidas, umas atrás das outras, que tomam. Tanto estereótipo e nenhuma empatia. Grande parte do filme limita-se a esperar que a invasão passe e isso não ajuda.

Outro defeito é a ausência de explicações. Aparentemente, os cérebros humanos são pilhas para o funcionamento dos corpos dos aliens (Matrix?), mas isso e tudo o resto são meras suposições. Umas notícias rápidas de televisão indicam que a invasão é mundial, mas a única imagem que se vê fora de Los Angeles é de Nova Iorque.

Há, pelo menos, um punhado de cenas de acção impressionantes, a levantar a fasquia que, de outro modo, penderia exclusivamente para o lado negativo. A interacção entre os efeitos digitais e os actores é aceitável e os monstros e naves são credíveis. Como entretenimento série B e um orçamento trinta vezes inferior ao de Tron Legacy (2011), Skyline convence perfeitamente nesse campo. Os efeitos especiais e o ritmo da acção estão excelentes. Só é pena que os personagens não mereçam a entrega do público. E que não tenham sabido parar antes da história se tornar ridícula (o desfecho no interior da nave). Com Eric Balfour, Scottie Thompson, Brittany Daniel, Donald Faison e David Zayas.

Skyline 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo
2 Comments:
Péssimo! E reparaste que as luzes azuis desceram de noite, no entanto os 2 homens, da penthouse até ao terraço, devem ter demorado tanto tempo que quando lá chegaram já era de dia. :S
SPOILERS AHEAD!!! E pior: então bastava fechar as cortinas para os aliens não detectarem as pessoas?? Uma inteligência daquelas??
E outras coisas parvas à mistura.
eles subiram precisamente no amanhecer. parecia escuro por causa das nuvens pretas. como eles estavam de ressaca, demoraram mais tempo na subida :D
a inteligência não tem olhos :P
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