Quarta-feira, Dezembro 08, 2010

Sempre Que Te Vejo, de Burr Steers

O belo Zac Efron, em vez de enfrentar o cinema de frente, continua a passear-se por filmes dirigidos a um público adolescente, neste caso um drama com contornos sobrenaturais que parece ter saído da paleta da Disney.

Baseado no livro A Morte E A Vida de Charlie St Cloud, de Ben Sherwood, Sempre Que Te Vejo é uma história movida a sacarina e kleenex, sobre um rapaz que não chega a dizer I see dead people, mas que as vê, vê. Ressuscitado por um paramédico depois de um acidente onde o seu irmão mais novo perdeu a vida, Charlie perdeu o norte. Incontestável campeão de vela, desistiu da bolsa de estudo universitária e passou os cinco anos seguintes a tratar do cemitério local, onde o irmão está enterrado, porque lhe prometeu que se veriam todos os fins de tarde, para treinarem baseball. Nunca mais entrou num barco, mas o regresso de uma antiga concorrente de vela e a morte do paramédico que o salvou fazem-no repensar a sua falta de estratégia.

Para ficar à frente de O Sexto Sentido (1999), Charlie não só vê mortos, como aparições de vivos. Apesar disso, o decisivo medalhão de S. Judas, padroeiro das causas perdidas, é-lhe trazido pela viúva do paramédico, em vez de ser visitado pelo morto. Incoerências e improbabilidades à parte, é preciso tirar o chapéu a Burr Steers, realizador e argumentista de A Estranha Vida de Igby (2002), argumentista de Como Perder Um Homem Em 10 Dias (2003) e realizador de 17 Anos Outra Vez (2009). Steers consegue tratar a narrativa com dignidade e calor, imprimindo-lhe o ritmo adequado e não deixando o público pensar demais, preocupando-se em oferecer uma embalagem bonita, o que não deixa de ser valorizável, neste registo onde tantos tentam e falham.

Atraente como poucos, Zac Efron pavoneia os abdominais até através da T-shirt e os olhos azuis límpidos pelas lentes de Enrique Chediak, director de fotografia, que faz igualmente um bom trabalho com a discreta Amanda Crew e com as curtas aparições dos veteranos Kim Basinger e Ray Liotta. Mas o filme é todo de Efron, fantástico na sua apresentação comedida e introspectiva, adorável numa timidez que lhe fica bem, não parece falsa. Ter desistido de Footloose (2011) para aceitar Sempre Que Te Vejo pode até nem ter sido um mau passo de carreira.

Charlie St. Cloud 2010

23 Comments:

Blogger Sam said...

o que eu gostei deste filme...
o Zac está realmente muito bem, alem de por a miúdas todas a babarem também consegue ser bom actor.
Achei-o muito bem conseguido, tanto a historia como a escolha dos actores e o cenário.

Não te esqueças de dizer que o Zac faz amor com um ganso, isso é importante:P

12/09/2010 12:15 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

gostaste? pois, para alguém em baixo é mesmo o filme ideal, o rapaz desiludido que encontra um propósito para viver e alguém especial.

eu também gostei, é um filme que se vê muito bem, o zac é um giraço e a miúda tinha um sorriso muito bonito, daqueles que abrem em fole. o filme tinha tudo para fracassar - afinal, o herói não faz nada de jeito até ao fim, limita-se a arrastar-se com cara de triste -, mas, queira-se ou não, gosta-se do zac e do seu desejo de manter o irmão «com vida». claro que o amor fala mais alto e, sinceramente, mais valia a história ter avançado um ano, era mais do que suficiente. dizer que ele passou 5 anos a olhar pelo cemitério e a jogar diariamente com o irmão... é tempo a mais a não fazer nada, caramba.

12/09/2010 8:22 PM  
Blogger Sam said...

sim, gostei...
vê-se realmente muito bem, só não gostei de uma coisa. Logo da primeira vez que ela aparece entende-se que ela provavelmente está morta.

12/09/2010 8:37 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

a primeira vez que ela aparece é na primeira cena, ela está na regata que ele e o irmão ganham. a segunda cena em que ela entra é na cerimónia de entrega de diplomas. a terceira cena em que ela aparece está no cemitério, a pôr flores no túmulo do pai. na quarta cena está na esplanada do café, à noite e a seguir fala com o zac. na quinta cena, está no barco, em direcção à tempestade. em todas estas cenas, está mais do que vivinha.

na manhã após a tempestade, ela acorda junto ao túmulo do pai e tem um lenho na cabeça - a partir daqui já é suposto estar num estado de semi-morte.

qual é a primeira cena a que te referes?

a cena em que se percebe que ela está morta é quando ela cumprimenta uma vizinha e esta não lhe responde e a seguir a polícia informa, no café, que o barco dela desapareceu.

já agora, que foi aquilo de ele ter dormido com um ganso?

12/09/2010 8:48 PM  
Blogger Sam said...

já nao me lembro em que cena é, mas acho que é na do cemitério(já vi o filme à muito tempo)

o fazer amor com o ganso é porque ha uma cena em que ele acorda depois de supostamente ter dormido com ela, e no meio do cemitério so esta ele e um ganso, logo, ele fez amor com o ganso.

12/09/2010 9:49 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

eu então não a achei nada morta, porque ele limpou-lhe a ferida e ela comeu o jantar que ele lhe fez e ela convidou-o para velejarem e fizeram amor, tudo coisas que os vivos fazem, por isso deixei-me ir na onda. além de que, se ela estava a morrer e a precisar de ajuda, andar a namoriscar um rapazito e a dizer que ia partir dentro de dias para uma viagem de 6 meses não me parecia ter a menor relação. ela deveria estar preocupada e a dar-lhe pistas.

além disso, se ele sabia que via mortos, não sei o que o fez crer no final que ela ainda estava viva. afinal, tinha toda a lógica que estivesse morta, ele não era visitado por mortos-vivos.

foi uma orgia, quando ele acordou havia vários gansos.

12/09/2010 9:57 PM  
Blogger Sam said...

havia varios gansos mas é um que está mais perto.

ele não sabia que via mortos, só sabia que via o irmão mais nada.
tanto que aparece o amigo e ele fala com ele como se ele etivesse vivo, e nao estava

12/09/2010 9:59 PM  
Blogger Sam said...

já viste o cartas para Julieta?

12/09/2010 10:00 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

estavas desatenta, é o que dá. o amigo apareceu a visitar a própria lápide, até se queixou de nódoas e o zac disse-lhe que era cocó de ganso.

por isso, viu pelo menos dois mortos, e um morto via-o todos os dias, ao... twilight.

não percebi porque é que o cadáver do paramédico não lhe apareceu com o fio do s. judas. afinal, apareceu a viúva de fugida, só para lhe dar o amuleto e bazar.

12/09/2010 10:02 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

não. tenho as cartas da julieta desde o verão e ainda não vi.

o que ainda falta criticar é toy story 3, gru o maldisposto, a cela 211 e The Town.

12/09/2010 10:03 PM  
Blogger Sam said...

não, o amigo vem ver a lapide dele mas falam como se fosse de outro...

pois, também não sei, se calhar havia ali um limite de idade.

12/09/2010 10:04 PM  
Blogger Sam said...

oh pa, ainda vi nenhum desses.

gostei muito do cartas para julieta, mas não me parece que tu vás gostar... Aí da tua lista, há algum que valha a pena?

12/09/2010 10:05 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

o amigo falou de como tinha sido ir para a guerra do iraque e a sorte do zac não ter sido recrutado e quando se foi embora a lápide tem o nome do amigo e as datas de nascimento e morte são as de um adolescente que morreu durante o período dos 5 anos do salto de cena. 2+2 = era ele que estava morto e a falar com o zac.

agora ver a chavala e ela não estar morta é que pronto, é para engolir sem questionar.

12/09/2010 10:08 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

o toy story 3 está mesmo muito bom e o the town, que ainda não vi até ao final, está a ser muito bom. estou a ver a extended version, que tem mais 25 minutos do que a que passou nas salas. não vi a outra.

12/09/2010 10:09 PM  
Blogger Sam said...

ok, como não tenho certeza vou acreditar que foi assim.

a cena da rapariga foi para o filme ficar fofinho, mais nada.

12/09/2010 10:10 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

se não acreditas, saca o filme outra vez, vês a cena e apagas.

12/09/2010 10:11 PM  
Blogger Sam said...

vou ver o toy story então, já ando adiar a algum tempo.

12/09/2010 10:11 PM  
Blogger Sam said...

eu tenho o filme aí num sitio qualquer, mas não me apetece ir ver

12/09/2010 10:12 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

é filme para ver e apagar. é o que faço a 99% dos filmes que vejo.

12/09/2010 10:14 PM  
Blogger Sam said...

claro, eu é a 100% mesmo

12/09/2010 10:14 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

se tens este filme guardado e já o viste há muito tempo, e porque não apagas a 100%, duh...

12/09/2010 10:15 PM  
Blogger Sam said...

oh duh, tenho apagado do pc.
por acaso tá na pen porque levei para casa de uma amiga para vermos

12/09/2010 10:19 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

ter na pen é ter.

12/09/2010 10:27 PM  

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