Domingo, Dezembro 12, 2010

Gru O Maldisposto, de Pierre Coffin e Chris Renaud

Gru O Maldisposto é o primeiro filme de desenho animado por computador da Universal, rodado inteiramente nos estúdios franceses Mac Guff. Colhe inspiração de diversos quadrantes, o que acaba por desequilibrar o conjunto, numa manta de retalhos cujo núcleo é, já de si, pouco consistente. Dirigido a um público infantil, Gru O Maldisposto acompanha o plano diabólico de Gru, em roubar a lua, para sagrar-se o maior supervilão do planeta. Este roubo exige, previamente, a aquisição de uma arma super-redutora, que deixou cair na posse do actual supervilão, Vector. Para ter acesso ao forte deste último, adopta três pequenas órfãs que vendem bolos, uma perdição de Vector (os bolos, não as órfãs), e acaba por ser amolecido pela inocência delas.

O problema é que o sucesso e as desventuras de Gru nunca chegam a ser empáticas. Em vez de um personagem mau como as cobras que se redime pela influência do carinho infantil, é um incompreendido que escolheu o caminho da maldade para impressionar a mãe, que sempre lhe menosprezou os talentos artísticos, nomeadamente o sonho de ser astronauta. Na sua sede pela aprovação materna, construiu planos megalómanos, cujo financiamento o obrigam a humilhar-se perante o Banco do Mal. Não nos rendemos a ele pelo seu sentido de humor nem pelo design do boneco e muito menos pela voz afectada e pouco espontânea de Steve Carell. Gru pode perfeitamente ser um triste ressentido com a negligência da progenitura, mas daí ao sonho de ser um super-vilão vai um grande esticão. Alternativamente, poderá interpretar-se que a ruindade lhe nasceu no coração por causa desse desleixo e que os pais na audiência deverão ter isso em conta ao educarem os seus petizes; ainda assim, a lição não é transmitida de forma eficaz.

Não quer isto dizer que Gru O Maldisposto deixe de ser um entretenimento simpático, que mistura rivalidade entre profissionais, geringonças engenhosas, três crianças com puppy eyes e uma legião de escravos que servem de apontamento cómico e para construir as geringonças. O factor mais gratificante prende-se com a relação desenvolvida entre Gru e as filhas adoptivas, que trouxe para casa com um objectivo profissional, mas se torna afectivo. É rápido nuns pontos, gradual noutros, aceitando-se o seu ritmo e implicações. Afinal, não é preciso crescer num ambiente familiar perfeito para se dar uma educação melhor à geração seguinte. Um filho pode aprender com os erros dos pais. Para além de um excessivo Steve Carell, com entoações artificiais e cheias de tiques, temos Vector com a voz de Jason Segel (How I Met Your Mother) e o aspecto de Dimitri Martin (opinião pessoal não confirmada em nenhuma da media consultada - já em 2006, só eu reconheci no modelo de caracterização do jovem chef de Ratatui a cara de Shia LaBeouf) e o Dr. Nefario com voz de Russell Brand, mas que soa a Eddie Izzard.

Produzido por Chris Melandrani (produtor de Idade do Gelo e de Horton Hears a Who), com uma discreta banda sonora de Hans zimmer e Heitor Pereira e canções pouco inspiradas de Pharrell.

Despicable Me 2010

2 Comments:

Blogger Kahlil Affonso said...

adorei este filme!

http://filme-do-dia.blogspot.com/

12/13/2010 9:32 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

Ainda bem, Kahlil. Para mim, das animações deste verão, a minha ordem de preferência é 1 - toy story 3, 2 - despicable me, 3 - shrek 3. estou a ver a lenda dos guardiões.

12/14/2010 2:49 PM  

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