Corrida Mortal 2, de Roel Reiné

Numa era onde ainda se multiplicam os reality shows, Corrida Mortal continua a fazer sentido. Em vez de dar seguimento à história rumo à liberdade do original, este direct-to-DVD surge como prequela, preferindo narrar como nasceu o jogo e quem era Frankenstein, o corredor que morreu no início do original e foi substituído por Jason Statham.

A história foi escrita por Paul W. S. Anderson, realizador do original e de muito mais porcaria, de Mortal Kombat (1995) a Aliens versus Predator (2004), e é com agrado que pode dizer-se que o argumento de Corrida Mortal 2 flui com lógica e não se perde em situações secundárias. As corridas do título precisaram de ser inventadas, por isso o filme começa com lutas corpo a corpo e armas brancas, antes de progredir para os bólides só ao fim de 50 minutos. Isso dá tempo para construir o protagonista e desenvolver o interesse em seu redor.

Luke Goss é esse protagonista, o condutor de assaltos que virá a ganhar o nome de guerra Frankenstein. O actor, inicialmente conhecido pelo duo britpop Bros, tomou o cinema de assalto como o irreconhecível adversário de Blade II (2002), mas desde então não fez nada do mesmo calibre, com o vilão de Hellboy 2 – O Exército Dourado (2008) a entrar nessa lista. Para além de já ter representado o monstro de Frankenstein, de Mary Shelley, numa adaptação televisiva (2004), Corrida Mortal 2 marca a terceira vez em que vinga numa sequela sem ter entrado no original. Não é, também a primeira vez, este ano, em que participa em combates até à morte (Tekken, 2010). Goss tem presença, voz, estilo, só se lamentando que lhe falte arcaboiço, um filme destes precisa de homens robustos e não magros; um pouco de carne na dieta não lhe teria feito mal.

Laura Cohan e Tanit Phoenix são a sensualidade, Ving Rhames e Danny Trejo a experiência. Lamenta-se que Robin Shou, que tão impressionantes artes marciais executou

Roel Reiné é um realizador holandês, aconselhado pelo conterrâneo Paul Verhoeven (RoboCop, Instinto Fatal, Showgirls) a ir para a América, se queria fazer cinema. Dez anos depois, Reiné tem-se segurado a uma carreira sem estreias em sala, mas que lhe paga as despesas, como Marine 2 (2009) e Lost Tribe (2009). Usando Corrida Mortal (2008) como pedra de toque, a prequela não desmerece. Carros à Mad Max (1979) e um cenário natural de holocausto (no caso, uma prisão degradada) pedem destruição maciça e Reiné faz-lhes a vontade.

Death Race 2 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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