A Rede Social, de David Fincher

Se7en (1995), O Jogo (1997) e Fight Club (1999) elevaram David Fincher ao panteão dos eleitos, fazendo esquecer a funesta sorte do injustiçado Alien 3 (1993). A partir de então, o realizador tem brincado com o seu talento e reputação, em projectos de pouca relevância, que funcionam só pelo factor entretenimento (Sala de Pânico, 2002, e Zodíaco, 2007) ou nem isso (O Estranho Caso de Benjamin Button, 2008).

A Rede Social mantém esse registo, com o embelezamento de um fait-divers, um tema de rodapé apenas elevado a notícia por ter enriquecido o seu autor. Toda a gente conhece a rede social Facebook, paralela ao MySpace e ao Twitter, mas apenas uma minoria microscópica se terá alguma vez interessado pelos seus dinamizadores, Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin. Precisamente por essa razão, ao adaptar o livro Bilionários Acidentais, de Ben Mezrich, o argumentista Aaron Sorkin empenhou-se em interligar a entediante narrativa com os dois processos judiciais de que o inventor do site foi alvo, com recurso a flashbacks, para evitar os bocejos.

O slogan do cartaz (não é possível ter quinhentos milhões de amigos sem fazer alguns inimigos) está bem esgalhado, mas induz

A Rede Social é um filme aborrecido, que Fincher falha em despertar através de brechas na linearidade cronológica e ao colocar a tónica em factos tipicamente adolescentes. O verdadeiro Eduardo Saverin veio a público desvalorizá-lo enquanto documento, frisando o quão curioso foi ver uma recriação da sua vida onde o ênfase é dado aos factos menos importantes. Isso é patente, por exemplo, na ideia de que foi Sean parker quem fomentou o desassossego entre ele e Mark Zuckerberg e que este decidiu expandir o site para além do circulo de Harvard por despeito, quando não conseguiu impressionar a ex-namorada, que andava noutra Universidade e nunca tinha ouvido falar da rede.

Jesse Eisenberg está excelente como o protagonista, ele que se habituou ao papel de inadaptado (A Lula e a Baleia e Zombieland, por exemplo), Andrew Garfield e Justin Timberlake não se destacam e Armie Hammer representa ambos gémeos Winlevoos (Josh Pence é o corpo de um deles, mas a cara é uma colagem digital da de Hammer). David Fincher gostou tanto de trabalhar com Rooney Mara (faz de ex-namorada de Zuckerberg), que a contratou para o papel de Lisbeth Salender, no remake da trilogia Millenium. Ela já tinha estragado a mítica Nancy, no remake de Pesadelo

The Social Network 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo
5 Comments:
Partilho em muito a tua opinião sobre este filme — um filme mediano que está a ser muito sobrevalorizado.
Apenas "diferimos" num aspecto: achei que é Andrew Garfield a arrancar a melhor interpretação neste contexto. Eisenberg tem sempre o mesmo registo, ou seja, monótono e monocórdico.
Cumps cinéfilos.
Sam, obrigado pelo teu comentário.
Eu não desgostei do Andrew Garfield, achei que representou bem o seu papel de amigo, que perdoava sempre os excessos do outro, que era tímido com as mulheres e que no final se sentiu traído pelo melhor amigo. Apenas não achei que tivesse sido excepcional, ou seja, digno de nota acima da competência que não nego à sua entrega.
Quando ao Eisenberg, aqui é que discordo. Ao contrário do coninhas a que nos habituou, aqui ele é directo, imediato, snappy. Manda as bocas certeiras, sem falhas, sem hesitações. Isso é novo, nele. É óbvio que o aspecto dele nunca lhe vai permitir ser um novo galã como o Zac Efron, mas no seu registo, este foi um passo em frente, acima do vulgar "woody allen"ismo de antes.
Já agora, andrew garfield como homem aranha, any thoughts?
As adaptações do Homem Aranha ao grande ecrã é um fenómeno que me tem passado um bocado ao lado. No primeiro, ainda é possível detectar o "Raimi touch", mas os restantes...
Contudo, acredito que é possível que Garfield consiga fazer melhor que o Tobey Maguire.
Cumps cinéfilos.
pessoalmente, acho que é impossível fazer pior do que o tobey maguire, o pior actor que alguma vez podia ter sido escolhido para o papel.
james franco, que ficou com o papel de melhor amigo, fez audições para peter parker e teria dado um spider fantástico, adorava tê-lo visto no papel.
o garfield é demasiado pequenino, mas é giro e provou que consegue ser geek e desajustado. se o puserem no ginásio durante uns meses, é bem capaz de se aguentar à bomboca. ainda assim, preferia ver um tipo alto e espadaúdo, que envergasse o uniforme com o estilo que o da BD. Enfim, vamos lá a ver...
concordo contigo quanto aos aranhas já em histórico. cada vez piores, à medida que a saga progredia. e todos maus, desde o primeiro. claro que, como spidey fan que sempre fui, as cenas do aranha a balançar-se entre os prédios fizeram a minha perdição e ver o dr octopus também - alfredo molina foi um achado, adequadíssimo.
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