Predadores, de Nimrod Antal
Contra todas as expectativas, a fórmula perdeu-se na selva da Guatemala. O próprio John McTiernan tinha apenas duas amostras da poção consigo, que gastou em Predador (1987) e Assalto ao Arranha-Céus (1988). O Predador 2 (1990) de Stephen Hopkins (Pesadelo em Elm Street 5, 1989) foi um fiasco, entre outras razões porque Danny Glover (saga Arma Mortífera) tinha mais alma de sidekick do que de herói. Já nessa altura, a Dark Horse lucrava com os comics do crossover Alien Versus Predator, que encontrariam o caminho até à sétima arte em 2004 e em 2007.

Concebido sem a intenção de despoletar sequelas, tornou-se necessário aguardar pelo sucesso do filme para escrever Predador 2. Os argumentistas do original (os irmãos Jim e John Thomas, também guionistas de Decisão Crítica e Atrás Das Linhas do Inimigo) reuniram-se para a segunda entrega, sendo que proposta semelhante foi entregue a Robert Rodriguez em 1994, enquanto este aguardava a luz verde para Desperado (1995). O seu guião foi rejeitado e esquecido, sob críticas orçamentais, mas a Fox encontrou-o no meio do lixo e, bem, o nome de Robert Rodriguez cresceu desde então.

Que Rodriguez tenha decidido produzir, mas não realizar, foi o primeiro indicador de que não achava o projecto um desafio suficientemente atraente. A oferta a Neil Marshall para que tomasse as rédeas poderia ter sido barro para coisas grandiosas, mas a passagem para o tarefeiro Nimród Antal foi o balde que apagou a chama. O argumento de Rodriguez ter sido actualizado por dois estreantes, Alex Litvak e Michael Finch, nem fez faísca.

A escolha de Adrien Brody (Oscar de Melhor Actor em 2003, por O Pianista) para protagonista carregou sobrancelhas e nem o facto de ter ultrapassado as dificuldades o transforma numa fulgurante estrela de acção. O resto do grupo aceita-se com um encolher de ombros. Danny Trejo aparece brevemente como favor a Robert Rodriguez, mas a rodagem de Machete (2010) ocupou-lhe a agenda (também declinou compor o ramalhete dos Mercenários de Stallone); Alice Braga vai lentamente conquistando Hollywood (Eu Sou A Lenda, Ensaio Sobre A Cegueira e Repo Men); Topher Grace é o comic relief e os outros não interessam a ninguém. Especialmente o horrendo miscast de Lawrence Fishburn, onze anos depois da última vez que convenceu o público (Matrix, 1999); já em Biker Boyz – Corridas Clandestinas (2003) estava demasiado bonacheirão para caber nas roupagens de couro que envergou.

Predadores é, então, a segunda sequela do original de 1987, e não foge muito do figurino. Abandonados à sua sorte num ambiente de selva hostil, um grupo de militares, mercenários e assassinos fica entregue à sua sorte, perdendo a vida um a um às garras de um extraterrestre com gosto por caça grossa. As únicas diferenças são um cenário interplanetário e duas raças diferentes de Predadores (ou três, se quisermos integrar o trocadilho do título). Nimród Antal (Motel, 2007, e Armored, 2009) aposta no mediano e ganha por uma pequena margem. À sua realização falha, principalmente, a claustrofobia e a intensidade. Quando a matilha humana se recolhe no interior da nave, a energia desce a níveis comatosos. O resultado é, assim, uma aventura em piloto automático, que se vê sem encanto.

Predators 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo

2 Comments:
Só uma pequena correção: o diretor de "Predador 2" chama-se Stephen Hopkins, e não Anthony. =)
sim, foi distracção da minha parte.
concordas com a opinião?
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