Enquanto Dormias, de Jon Turtletaub

Se a comédia romântica for um alvo redondo, Enquanto Dormias é um raro exemplo que acerta todos os dardos na mosca. Apresenta uma protagonista com quem metade do público se identifica e a outra metade, pelo menos, simpatiza e larga-a numa situação improvável, fazendo-a rodopiar contracorrente e exigindo-lhe que ultrapasse uma miríade de dificuldades, muitas delas provocadas pela própria, nas tentativas de manter-se à tona, e consegue que o público faça figas por ela a cada obstáculo.

Enlevada por um elegante passageiro de comboio que vê todas as manhãs da bilheteira onde trabalha, Lucy salva-o da morte quando este cai à linha. No hospital, é erradamente identificada à família da vítima, então em coma, como sua noiva, e a vida desta solitária enche-se de pessoas, alegria e boa disposição. Isto, claro, se a verdade não for, entretanto, descoberta.

Assiste-se aqui ao mais perfeito casamento entre argumento, realização e elenco. Daniel Sullivan e Frederic LeBow encarrilaram os eventos com uma grande dose de doçura e humor e Jon Turtletaub soube dar-lhes o sentimento adequado. Curiosamente, a ideia original incidia num protagonista que se fazia passar por noivo de uma mulher

Bullock, em acelerada subida de popularidade desde Speed (1994), capitalizou na imagem de patinho feio e saiu-se maravilhosamente, tornando claro que, para entrar no coração do público, não é preciso ser-se bela, mas apenas fofinha. Bill Pulman e Peter Gallagher estão iguais a si próprios (o primeiro a conhecer o protagonismo pela primeira vez e o segundo a repetir o costume desde Sexo, Mentiras e Vídeo, de 1989) e, como tal, excelentes nos seus papéis. Ally Walker encantara já em Máquinas de Guerra (1992) e repeti-lo-ia na série Profiler (1996-1999) e o resto do elenco é igualmente de louvar. Todas as rodas dentadas de Enquanto Dormias estão oleadas. Perfeito para os solitários manterem a esperança e para os apaixonados se darem conta da sorte que têm: está garantida a boa disposição, o coração quentinho e muitos suspiros.

While You were Sleeping 1995
O Evangelho Segundo Cinéfilo
2 Comments:
xii, do que te foste lembrar... ADORO, mesmo.
vou rever e venho fazer um comentário mais decente:D
este filme é fabuloso. apanhei-o por acaso no hollywood e revi-o pela primeira vez em cerca de 15 anos. é uma comédia roântica simples e despretensiosa, com uma sandra bullock fantástica, fofa e querida, um bill pullman simpático e todo um elenco magnífico, a família do peter e do jack está toda de parabens.
o que põe este filme acima da média é o humor dos diálogos, que é absolutamente delicioso. é daqueles filmes que nos põe bem dispostos, quer queiramos quer não, e cheios de vontade de nos apaixonarmos e de sermos felizes para sempre.
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