Princípe da Pérsia: As Areias do Tempo, de Mike Newell

Desde O Rei Escorpião (2002) que as areias do tempo andavam esquecidas do grande público, mas a Disney achou ter encontrado novo oásis. A sonoridade do título pode ter sido quanto bastou para dar luz verde ao projecto, ou não tivesse baseado um dos seus maiores sucessos numa diversão de parque temático (a trilogia Piratas das Caraíbas). Desta vez, a inspiração é Príncipe da Pérsia, a franchise oriunda da pré-história informática (1989), da autoria de Jordan Mechner, onde um aventureiro enfrentava inúmeras dificuldades no interior de um palácio para salvar a princesa das garras do sultão que a raptara. A transição para plataformas móveis deu-se em 2003, com Princípe da Pérsia: As Areias do Tempo a ganhar oito Interactive Achievement Awards. O jogo conta já com três sequelas e Mechner foi convidado para adaptar o argumento do jogo para o cinema.

Jerry Bruckheimer produziu, a Disney distribuiu e Mike Newell realizou. Este último estará associado ao projecto devido à sua experiência com efeitos especiais em Harry Potter E O Cálice De Fogo (2005), mas convinha lembrar que esse foi dos piores títulos da saga do jovem feiticeiro e que, tirando o simpático Quatro Casamentos e Um Funeral (1994), Newell estraga tudo em que toca. O Sorriso de Mona Lisa (2003) e Amor Em Tempo De Cólera (2007) são meros exemplos. Com ele ao leme, Princípe da Pérsia: As Areias do Tempo entretém, mas pouco mais. O que é pena, porque a narrativa tem suficientes reviravoltas e surpresas para manter a curiosidade. Para além de espadas, adagas e lanças a contento, acompanha-nos a dúvida sobre a identidade do verdadeiro traidor e a seriedade da ameaça. Assistimos à morte inesperada de personagens supostamente importantes e a uma relação amorosa algo forçada, mas recatada e bem disposta.

Jake Gyllenhall saltou por cima de Orlando Bloom e de Zac Efron para obter o papel de Dastan, o Príncipe da Pérsia, mas não perdeu o ar aluado que o acompanha desde Donnie Darko (2001), ao ponto de parecer troçar do esforço conjunto e da falta de credibilidade que o cerca. Está fisicamente bem apetrechado, mas isso e o cabelo comprido não passam de meros adereços. Gemma Arterton, depois de ter sido quase ignorada por James Bond em Quantum of Solace (2008), está etérea em dois filmes de época de grande orçamento, Confronto de Titãs (2010) e Príncipe da Pérsia. Ben Kingsley já enjoa como vilão, mas enfim, mais ninguém tem aquele nariz odioso. Alfredo Molina é uma valiosa adição ao grupo e a banda sonora, a cargo de Harry Gregson-Williams, não se perde.

Prince of Persia: The Sands of Time 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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