Goemon, de Kazuaki Kiriya

Ishikawa Goemon foi um herói popular japonês, um lendário ladrão do século XVI, o equivalente ao Robin dos Bosques britânico. Para suprir a pouca e contraditória informação factual sobre ele, floresceu no imaginário kabuki, cinematográfico, televisivo e dos videojogos. Goemon, o filme, é um épico histórico de Kazuaki Kiriya, fotógrafo de moda e realizador de Casshern (2004), que somou as funções de argumentista, director de fotografia, editor e produtor.

Se Casshern era uma metafísica fantasia futurista, que alertava contra os perigos da industrialização e da tecnologia (adaptação da homónima manga e anime dos anos 70), Goemon transporta-nos ao passado, a um Japão feudal apenas levemente baseado numa época onde reinavam senhores sedentos de poder, as intrigas palacianas minavam o governo e ninjas e samurais desafiavam as leis da gravidade, do fôlego e do aço. A realidade confunde-se com a animação, os instintos de lealdade com os do ódio e os de amor e amizade são tingidos de vermelho, no meio de eventos capazes de determinarem o destino de uma grande nação.

Com os efeitos especiais a cabo de Takuya Fujita e Kôji Nozaki, Goemon é um épico hiperestilizado com actores a moverem-se num ambiente exclusivamente digital, cujos cenários por computador diferem em qualidade, ora apostando no realismo, ora na elasticidade do videojogo. A imaginação não se deixa travar pela falta de meios. Se houver engenho, nada é impossível. O que perde em inverosimilhança, compensa em energia e boa disposição. Mítico, violento e lunático, Goemon aposta no entretenimento e lança às urtigas o enquadramento histórico, com toda a legitimidade.

A investir no projecto esteve Takashige Ichise, o produtor dos maiores títulos de horror japonês por alturas do Y2K: Ringu, Ju-On e Dark Water. Uma aposta ganha também com Goemon, uma exuberante aventura cheias de reviravoltas narrativas e visuais impressionantes. Um digno sucessor de Casshern.

Goemon 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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