Domingo, Agosto 29, 2010

Saw VI, de Kevin Greutert

Em equipa que ganha, não se mexe, e por isso a ficha técnica apenas sofreu alterações cirúrgicas. O editor dos primeiros cinco filmes ascendeu a realizador, mas mantêm-se os produtores, o compositor, o director de fotografia e praticamente todo o elenco, até com os mortos a regressarem em flashbacks. Os argumentistas Patrick Melton e Marcus Dunston já acompanham o projecto desde Saw IV, o que garantiu a coesão da história, que recupera eventos passados e desta forma mantém viva a ideia de unidade.

Saw VI tem por missão embrulhar a saga de John Kramer, vulgo Gigsaw, o homem dos jogos mortais. Desde 2005 que se dedica a fazer as pessoas arrependerem-se dos seus erros, através de provas de vida ou morte, e nem do túmulo desistiu do seu métier. Certo é que, quando começou, Saw desconhecia a sua longevidade e sucesso, pelo que foi trabalhando as surpresas a conta gotas, jogando pelo seguro. A fechar a primeira trilogia, matou o papão e a sua assistente, mas trouxe à cena um imprevisto sucessor. Na recta final da segunda trilogia, é preciso fazer a cama também a este. E Gigsaw não deixou a tarefa por mãos alheias.

Conciso, o filme avança com uma nova vítima principal, num labirinto de portas (ao jeito do que aconteceu no 3, onde também se dava prevalência a um jogador) e a sua escolha foi acertada. Quem melhor do que o CEO da Seguradora que recusou cobertura a John Kramer na sua luta contra o cancro? Os jogos em si são interessantes – directos, simples e orgânicos, desgastam o jogador onde lhe dói mais. Apesar de ficar a sensação de ser mais do mesmo, o filme vai sendo entrecortado de flashbacks capazes de lhe darem um corpo considerável e adensam um mistério cujas migalhas foram sendo construídas desde Saw IV, de modo a poderem explicá-lo e concluí-lo. No final, reservam-se algumas surpresas, muito mais reconfortantes do que no amorfo Saw V. Apesar da refrescante simplicidade da maior parte das provas, tem aqui também parte a mais elaborada de todas as geringonças até à data: um carrossel-roleta russa.

Apesar de tratar-se do Saw que pior se portou nas bilheteiras, Saw VI cumpre a sua missão de atar as pontas soltas, com respeito pela cronologia. Indispensável é, por causa disso, que se tenha algum conhecimento prévio dos meandros da franchise, para que possam reconhecer-se as pistas.

A saga fecha em 2010, com Saw 3-D, (em vez de Saw VII), a realizar por Greutert e filmeado com câmaras SI-3D (i.é, filmados directamente com câmaras 3D e não adaptado em pós produção). Recupera personagens do primeiro filme.

Saw VI 2009

1 Comments:

Blogger @Raspante said...

Este "Jogos Moratis VI" eu ainda não vi. Se bem, que eu teria que rever tudo de novo... nem lembro quais e quantos que eu conferi, mesmo não gostando muuito do estilo, não posso negar que a premissa desta "saga" é interessante, o trabalho psicológico e os próprios jogos são muito bem bolados!

Abs. =)

8/30/2010 1:07 AM  

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