Beijos E Balas, de Robert Luketic

Em vez de entrar a matar, o primeiro acto já se arrasta. Em 2007, o argumentista Bob DeRosa propunha um conjunto de histórias que rapidamente passavam de melancólicas a desgraçadas (The Air I Breath) e ainda não acertou o tom. Juntou-se a Ted Griffin, que hibernava desde Ocean's Eleven (2001), a ponto de esquecer-se que começou em 1999 com dois projectos curiosos, Best Laid Plans e Ravenous. Robert Luketic, por seu turno, beija a cruz e filma de olhos fechados, na esperança de que a fé faça o resto. Assistir a Katherine Heigl fazer, pela enésima vez, de patinho feio é um prato, no mínimo, enjoativo, e a falta de sofisticação e embaraço de Ashton Kutcher a brincar ao 007 é uma experiência triste (quando muito, e isto não é um elogio, consegue imitar Roger Moore na puberdade).

Um assassino da CIA anseia por deixar a profissão e, após conhecer uma mulher caseirinha por quem se apaixona, está pronto a assentar. Não ajuda que ele tenha ar de quem ainda não saiu do liceu nem que ela pareça bastante mais velha do que ele (Top Gun – Ases Indomáveis, foi uma excepção, não a regra). Logo na primeira noite, o assassino abre o coração à moça que acabou de conhecer, contando-lhe o que faz, mas por sorte ela já adormeceu. Passam-se três anos sem que ele volte a descair-se, nem a matar (fica por explicar a sua fonte de rendimento durante esse período, o qual passa com a rapidez de um separador), e vive o sonho dos subúrbios. De um momento para o outro, transforma-se num alvo a abater, e todos os figurantes do filme decidem eliminá-lo.

Robert Luketic tem feito uma carreira mediana na comédia ligeira, da qual se recordam Legalmente Loira (2001) e Uma Sogra De Fugir (2005). Em 2008, tentou um pequeno thriller à volta de um jogo de cartas (21), com regresso à comédia no ano seguinte – ABC da Sedução marcou a primeira colaboração com Katherine Heigl. Beijos E Balas tem defeitos e virtudes. Nos defeitos, conta-se o casting deplorável (nem química têm juntos), a relação de velada humilhação a que os pais da heroína a submetem, a história simplória e o humor rasteiro. A virtude está nas cenas de acção. Apesar de não serem memoráveis, têm coreografias bastante interessantes e com uma elaboração inesperada, nas quais Ashton Kutcher até é convincente. Não se tem a sensação de estar perante um novo Jason Bourne, mas Matt Damon é um actor de método, não pode confundir-se com o apresentador de Punk’d. Tom Selleck continua de bigode e o cantor Usher faz um cameo irrelevante, mas bem encaixado.

Para além dos três anos que passam a correr entre o casal ter-se conhecido e já estar casado e a viver junto, não se compreende que os pais dela, tão protectores nas primeiras cenas, desapareçam do mapa durante a semana de romance entre a filha e o atraente desconhecido que parecem só conhecer quando ele vem pedir a mão dela. Uma última curiosidade: em 1994, em Meu Pai, O Herói, uma Katherine Heigl com 14 anos também inventava mentiras sobre a vida do pai, para parecer uma mulher independente.

Killers 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo
2 Comments:
Não gostei nada, quase estava desejando q acabasse. E eu q gosto tanto da Katherine. E por acaso as únicas coisas que achei boazinhas foram de facto as cenas de acção.
muito fraco. o kutcher só serve para comédias adolescentes. já estou farto de ver a heigl fazer de coitadinha. valeu por algumas perseguições de carros e uns corpo-a-corpo.
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