Lembra-te De Mim, de Allen Coulter
Cada pessoa tem a sua forma de expressar dor e pesar, seja através do alheamento da realidade, da imersão no trabalho ou da agressividade. Lembra-te De Mim lida com diversas formas de amargar a perda de pessoas queridas, nomeadamente familiares, e de como isso desorienta aqueles que ficam, a sua percepção e a perspectiva com que se encaram a vida, como pode endurecê-las ou deixá-las à deriva. Ultrapassar esse limbo é uma tarefa complicada, para a qual nem todos estão apetrechados, e ajuda se for um trabalho de equipa.

No meio deste drama, brota a semente do amor, nem sempre fácil ou explicável, especialmente quando nem tudo é preto no branco. Um casal jovem com nuvens negras sobre as suas cabeças, relações familiares intricadas e uma melancolia que deriva de mortes na família. Lembra-te De Mim é um filme sensível. Este registo nem sempre funciona, arrastando-se em certas cenas que mais parecem retratos emoldurados, mas Allen Coulter é capaz de poupar os seus personagens ao cliché, filmando-os sob uma luz intimista e pessoal, discreta nas lágrimas e suave na raiva. Aborda-os com uma câmara que tenta não incomodá-los mais do que já estão, procurando trazer-lhes a paz que tanto precisam.

Infelizmente, depois de todo o cuidado em construir um castelo de cartas credível e sustentado, vem uma corrente de ar perfeitamente evitável. Aliás, o seu abuso é de tal forma grave que se torna indesculpável. Tendo sido brindados com uma trama simples e familiar sobre um grupo de pessoas que, lentamente, começa a erguer-se dos próprios escombros e a fazer sorrir o público esperançoso por um final feliz, os argumentistas Will Fetters e Jenny Lumet esforçam-se por imaginar uma desgraça que deite tudo por terra. No seu bloco de apontamentos, escrevem palavras como furacão, dilúvio, terramoto, queda de meteoritos e até, talvez, o fim do mundo numa bola de fogo. Então, decidem-se por uma data. 11 de Setembro. Não havia a menor necessidade de puxar essa cartada. Escolhessem um qualquer evento anónimo e vulgar, como um atropelamento, um acidente de carro, uma queda de um andaime, um incêndio, uma fuga de gás, um ataque cardíaco, uma embolia cerebral, cancro ou SIDA. Algo passível de ocorrer em qualquer dia da semana, independentemente do ano, em vez da panfletária queda do Empire State Building. Quantos americanos não culparão Bin Laden pelo inesperado final infeliz, logo quando aquelas pessoas de quem tínhamos aprendido a gostar estavam finalmente a encarrilar? Qual a necessidade de um final da escola Shyamalan?

Na televisão desde 1988, esta é a segunda longa metragem de Allen Coulter, que se estreara em 2006 com o interessante Hollywoodland. Ao contrário de outros que ficaram presos aos seus personagens famosos (Daniel Radcliff/Harry Potter, por exemplo), Robert Pattinson tem insistido em fazer papeis diferentes nas folgas de Crepúsculo. Depois de ter sido Salvador Dalí em Little Ashes (2008), integra aqui um elenco sólido, ao lado de Chris Cooper, Lena Olin, Pierce Brosnan, Emilie de Ravin e Ruby Jerins. O nome de Martha Plimpton não consta dos créditos, mas é ela na primeira cena. Plimpton sempre foi uma miúda feia e não melhorou (antes pelo contrário) aos 38 anos, mas é curioso notar semelhanças entre o seu rosto e o da bonita Emilie de Ravin, que faz de filha dela.

Remember Me 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo

33 Comments:
eu gostei do filme, tirando aqueles momentos finais que eram perfeitamente dispensáveis. Não faz qualquer sentido aquele final assim.
também gostei. um pouco lento, o pattinson continua melancólico como no Twilight, mas pelo menos aqui quer namorar com a miúda, em vez de fugir-lhe. gostei daquela parte inicial, de tentar perceber o que é que o assassinato da mãe de uma tinha a ver com a ida ao cemitério por parte da outra família, gostei muito da menina desenhadora e da sua relação com o irmão. a conversa sobre comer primeiro a sobremesa foi um bocado forçada, mas não fez mossa, não houve muita química entre o robert e a emilie mas também não fez mal, porque eles estavam juntos também um bocado para fugirem à solidão, e tal e coisa.
o final é que me irritou. quando a professora escreveu no quadro a data, pensei logo: fdx. ao menos não se viu um avião a aproximar-se das torres...
mas foi daqueles finais que não serviu a história nem serviu ninguém. é para as pessoas saírem tristes do cinema?
tal e qual. a minha reacção quando vi a professora a escrever a data foi mesmo essa.
adorei quando ele entra na escola e atira a cadeira pelo ar.
é arrepiante o que as miúdas fazem a irmã dele.
o filme está muito bem realizado, não força os seus elementos, prefere acompanhá-los discretamente.
é por isso que essa cena da slumber party funciona tão bem. a menina é uma outcast, não tem amigas na escola porque não consegue relacionar-se, e sabemos como as crianças são cruéis. vemo-la só no hall da casa da colega, desamparada, e depois já em casa a chorar. o filme não explora a cena nem a explica, apenas vemos o notório corte de cabelo.
quando o robert atira os livros da miúda má ao chão e o extintor pela porta é revigorante, porque é aquilo que todos queremos fazer quando confrontados com uma situação de crianças prepotentes.
quando eu era miúdo, aconteceu-me o mesmo. na 2ª ou 3ª classe, havia um miúdo bully que se metia comigo, porque eu não gostava de jogar à bola e era sossegado. convidou-me para o seu aniversário e não parou de chatear-me. a dada altura, por uma provocação qualquer, virei-me para ele e, sem pensar, a minha mão agarrou-lhe a cara e empurrou-lha até a nuca dele embater contra a parede. foi um grande estrondo. ele ficou a chorar o resto da tarde e eu passei a ser um herói. nem ele nem mais ninguém se meteu comigo o resto do ano lectivo.
a cena da cadeira é brutal por isso mesmo. Na mesma situação é isso que nos passa pela cabeça mas são muito poucos os que realmente o fazem.
na cena do cabelo as mães ainda agem pior que as filhas, não admira que as crianças sejam tão mal educadas.
os bullys são só cobardes disfarçados
achei que o chris cooper, o pai da emilie, teve muito pouco tempo de antena. para o actor que é, devia ter podido fazer mais.
o pierce não me convenceu muito, aquilo de não ter sentimentos e de repente mudar. mas, vá, o filme precisava dessa mudança.
os bullies são putos sem outras qualidades para além da força. cada um serve-se do que tem. quando não pode ser-se amado, é-de receado.
o pierce não convence muito neste tipo de papeis. já o "the greatest" é parecido e ele não convence minimamente.
já tenho esse mas ainda não vi. estou a acabar a crítica ao flor do deserto. já viste?
o flor do deserto ainda não, vou ver se saco.
julgava que o tinhas feito quando a chris falou dele na caras.
pensei nisso, mas depois esqueci-me
não perdeste nada, mas para pormenores tens de esperar pela minha crítica venenosa :)
eu por ti espero sempre:P
passas a ser tb o meu herói a partir desta leitura : >
Sandy, viste este filme hoje? :)
Não : ) mas acho que já te dei a resposta ontem.
Sandy, continuo sem saber como é que aterraste especificamente nesta crítica. pesquisaste "bullying"?
já nem me lembro, mas sei que de repente estava a ver alguns títulos de filmes e chamou-me a atenção ter visto a alusão ao bullying pelo facto de ter feito a peça em que fui uma das "agressoras" e achei que a tua atitude caracteriza o que muitos teen não conseguem concretizar.....daí ter dito que passavas a ser o meu herói : )
fui herói de pouca dura...
só se saberá se uma árvore será forte o suficiente se for sujeita a temporais : )
ah, foste jantar ao chinês :P
não...o meu herói ainda não me surpreendeu com os seus dotes culinários : ) .......I wonder if he can cook : )
O teu heroi cooka muito bem, mas não serve bolinhos da sorte. Vais querer arriscar?
.......feel free to surprise your lady then <3
Quando menos esperares, terás um prato frumegante à tua frente.
hum.........espero que seja comestível, pois nunca comi nada "frumegante" (inspiração de Lewis Carrol ?)
Inspiração samsung galaxy S2 :P
ok....... i get it , blame it on the new toy : > hope the dessert includes something very sweet
last time the dessert cooked just fine!
all our meals are sweet and sweaty <3
hum..........we're making the best jam ever : )
we are pure pearl jam :)
more like honey........but just love Pearl Jam ...with you
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