Golpe de Artistas, de Peter Hewitt
Actualmente, não é preciso ser-se agente secreto (Pierce Brosnan em The Thomas Crown Affair, 1999) nem o Zorro (O Namorado da Minha Mãe, 2008) para se roubar um museu, basta querer. Em 2007, foram adolescentes anárquicas de cérebro entupido em verniz (Giras E Passadas) e em 2008 este trio de monos com dois terços de artrite e ciática (Morgan Freeman, Christopher Walken e William H. Macy). A terceira idade já mostrara os seus dotes larápios em Entrapment – A Armadilha (1999), mas aí Sean Connery (então com 68 anos) era coadjuvado por uma atlética e bastante elástica Catherine Zeta Jones (então com 30 anos). A segunda infância foi menos bem sucedida em Uma Noite No Museu (2006), mas por alguma razão os guardas nocturnos do museu eram os maus da fita.
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Na eminência de verem transferidas para a Escandinávia as suas obras de arte favoritas, três velhos seguranças de um museu americano decidem apoderar-se delas. Afeiçoados a essas peças específicas, os ladrões têm como motivação para o roubo o seu valor sentimental e não o monetário. Infelizmente, Golpe de Artistas não sabe o que quer, para além de uma vaga ideia. Embarcando sem talento nesta brincadeira tola, Peter Hewitt – o realizador de Bill & Ted’s Bogus Journey (1991) e de Garfield (2004) – e Michael LeSieur – argumentista de Eu, Tu E O Emplastro (2006) – não se preocuparam com o planeamento do roubo nem com as suas consequências. Como tal, roubar trabalhos valiosíssimos de um museu pouco difere de roubar calendários da Pirelli de uma oficina. Morgan Freeman e Christopher Walken já não são nenhumas crianças (eufemismo para «hirtos») e a história teve de contornar as suas limitações. Apesar de simplórios e pouco expeditos, os três levam a cabo a espinhosa missão com uma perna às costas (como se o conseguissem), apenas a braços com alguma dissimulação perante a ignorante esposa (Marcia Gay Harden) de um deles.

Golpe de Artistas revela-se modesto e dispensável, e as obras de arte referenciadas não são famosas, antes tendo sido encomendadas para o filme. Jeremy Lipking é o pintor de A Donzela Solitária, a peça que dá título à película.

The Maiden Heist 2008
O Evangelho Segundo Cinéfilo.jpg)

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