A Mulher Do Viajante Do Tempo, de Robert Schwentke

A ideia de viajar no tempo não é nova, já em 1895 H.G.Wells construíra um veículo para relatar histórias de um futuro, sabe-se hoje, nada premonitório. A dependência de máquinas do tempo foi mantida na série televisiva Dr. Who, mas outras houve que exploraram o conceito das viagens prescindindo dessas geringonças, talvez por o DeLorean usado por Michael J. Fox em Regresso Ao Futuro (1985) ter tido uma vida comercial tão curta. De Quantum Leap a Journeyman (passando por Tru Calling, com uma mulher viajante), o herói teve sempre de corrigir alguma situação para poder regressar. É essa a grande diferença entre A Mulher Do Viajante Do Tempo e os restantes: a falta de propósito nas viagens. Devido a um desajuste genético, o protagonista é involuntariamente transportado para diferentes períodos da sua vida, onde pouco mais oportunidade tem para fazer do que procurar o que vestir (Exterminador Implacável ensinou-nos que nada mais do que tecido orgânico atravessa as malhas do tempo).

Para o alemão Robert Schwentke, este é o seu primeiro melodrama. Estreou-se em solo natal com um thriller de estética próxima de Se7en (Tatoo, 2002) e rumou a Hollywood para repetir a dose no aborrecido Flightplan (2005). Entre os dois projectos, ainda houve tempo para uma comédia às voltas com cancro da próstata (As Jóias da Família, 2003). Também uma novidade para o realizador é encenar uma história alheia. A Mulher Do Viajante Do Tempo baseia-se no primeiro romance de Audrey Niffenegger (publicado em 2003), trabalhado pelo veterano Bruce Joel Rubin, argumentista com mais de duas décadas de experiência na área, tanto da ficção científica como do melodrama (Ghost – O Espírito do Amor e Jacob’s Ladder - Viagem Alucinante, ambos de 1990). Claro que já se passaram 20 anos desde essas duas preciosidades e os tempos mais recentes não têm sido tão felizes (Mimzy – A Chave do Futuro e O Pequeno Stuart Little 2 são tudo o que teve para oferecer no novo milénio). Mais longe ainda vai a sua colaboração com Wes Craven em Amiga Mortal (1986).

A Mulher Do Viajante Do Tempo consiste numa ideia simples, mas elaborada em cima do joelho. A mulher do título casa-se com um homem que a visitou inúmeras vezes ao longo da sua vida, vindo do futuro, por achar que estão predestinados, já que ele lhe disse que tal iria acontecer. Incomoda que nunca os consigamos ver como um casal feliz. Ele é um eterno deprimido, com uma vida perdida em viagens sem sentido a acontecimentos angustiantes da sua vida, e ela, apesar de ser uma fantasista, não pode negar que é aborrecido viver com alguém que desaparece inesperadamente, porque se torna difícil fazer planos, nestas circunstâncias, especialmente quando não há outra mulher para culpar da inconveniência.

No meio de tantas viagens aleatórias, chega a dar vontade de obter o mesmo resultado através do botão de fast forward. Apesar de manter a curiosidade em relação ao desfecho, o filme não tem carne suficiente para entreter no presente. Aguenta-se apenas pela manutenção da expectativa. Pretende ser uma trágica história de amor, na onda de Nicholas Sparks (a escolha da sempre deliciosa Rachel McAdams não terá sido coincidência), com pitadas de ficção científica, mas juntar duas pessoas não dá automaticamente um romance. Não trágico, mas lamentável, é o resultado final, demasiado lento e entediante para que se suspire ao som da campainha de Pavlov. Quanto a Eric Bana, o actor comporta-se mais como uma criança perdida do que como um adulto habituado à sua condição, o que não faz muito sentido.

The Time Traveler’s Wife 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
2 Comments:
não adormeci nem sei bem como. se uma pessoa visse o filme com o cérebro desligado, até dava para nos entretermos com o arremedo de romance.
não sei se preferia viajar no tempo para chegar logo ao final do filme ou viajar até antes de comprar o bilhete e ir ver outro filme.
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