Em Roma, de Mark Steve Johnson

Mark Steve Johnson é um nome indelevelmente associado a dois superheróis que mergulharam nas bilheteiras. Motoqueiro Fantasma (2007) provou ser ainda mais cego do que Demolidor (2003) e não aguentou as reviravoltas da roda da morte. Apesar da sua paixão pela Marvel (para além de realizar, foi autor dos guiões), ambos filmes fracassaram junto do público, o mesmo acontecendo a Elektra (2005), para o qual contribuiu como produtor executivo, com um guião (não utilizado) e diversos vilões. A estrear-se na comédia romântica, Johnson parece disposto a não repetir o erro de idolatrar os protagonistas, esforçando-se antes por amachucá-los.

Beth é uma mulher dedicada ao seu exigente trabalho de curadora no Museu Guggenheim de Nova Iorque, mas com azar ao amor. Há um ano sem ninguém, é precisamente no casamento da irmã mais nova que sente uma atracção correspondida pelo padrinho do noivo, Nick. A inveja (por a irmã mais nova casar antes dela) dá lugar à esperança, mas quando vê Nick beijar outra mulher, a frustração fá-la entregar-se ao gargalo. A igreja situa-se junto da famosa Fonte do Amor, onde uma Beth bêbada decide guardar algumas das moedas atiradas por estranhos. De volta a Nova Iorque, Beth começa a ser assediada por quatro estranhos (um pintor, um modelo, um mágico e um empresário), os donos das moedas que ela tirou da fonte. Nick (que lhe diz que o beijo que ela presenciou foi um equívoco) também não a esqueceu. O resto do filme são sketches dos quatro homens a humilharem-se perante ela e a sabotarem a tentativa de relacionamento entre ela e Nick.

Kristen Bell e Josh Duhamel, apesar da diferença de alturas, têm química juntos e fazem-nos torcer por eles mas, infelizmente, o que poderia ter sido uma ideia cheia de possibilidades cai à fonte e bate com a cabeça. A história equilibra uma exagerada quantidade de slapstick com um ínfimo número de diálogos engenhosos (ela: estás a perseguir-me?; ele: não, estou apenas a cruzar-me contigo de forma premeditada) e muita incoerência. A história passa-se no período de uma semana, com quarenta e oito horas passadas em Roma e o resto em Nova Iorque. Os quatro apaixonados estavam em Roma ao mesmo tempo que Beth, mas rumam todos a Nova Iorque no mesmo dia. Enquanto que dois deles não sabem quem é aquela por quem estão enfeitiçados, o personagem de Danny DeVito vai especificamente ter com ela ao local de trabalho e o mágico aparece dentro de casa dela (Beth põe-no porta fora sem ter de arrastá-lo - há um corte a abreviar a cena - apesar de ele estar mumificado com as pernas juntas; também não o vemos dar pulinhos). Na cena do restaurante às escuras, os pretendentes surgem todos com óculos de ver no escuro (devem ser mais fáceis de adquirir no mundo da fantasia), mas Beth e Nick saem sozinhos para a rua e ninguém vem atrás deles. Apesar de poder ter causado o despedimento de Beth por uma atitude irresponsável, a sua secretária decide ainda arriscar mais um passo em falso e esconder as moedas (justificando que o faz pelo bem de Beth), quando é óbvio o stress em que eles a colocam (a secretária não é punida por nenhuma das situações). Face ao que se sabe sobre o jovem padre no final, estranha-se o comportamento dele na cerimónia (é tão disparatado como Rowan Atkinson em Quatro Casamentos E Um Funeral, mas do seu discurso ou expressões não se intui a menor inclinação por Beth).

Em suma, Em Roma é daqueles projectos com pernas para andar, mas sem calçado adequado. Assim, fica-se por um casal atraente (o peito de Kristen Bell protagoniza no vestido de dama de honor) e alguns momentos engraçados, mas insuficientes para que o filme se aguente. Do modo como alguma cenas surgem penduradas, presume-se que uma montagem deficiente tenha cortado ligações imprescindíveis entre cenas (normalmente, a justificação para isto é acelerar o ritmo do filme). Os quatro enfeitiçados são personagens planas sem a menor graça (um deles, Dax Shepard, é o actual namorado de Kristen Bell) e ninguém brilha especialmente, nem os veteranos Don Johnson, Danny DeVito ou Angelica Huston. Quanto a Mark Steve Johnson, ainda não é desta que se livra da maldição dos flops.

When In Rome 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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