Algo Novo, de Sanaa Hamri
Romance interracial com elenco maioritariamente negro, mas final feliz. A desproporção de actores negros para cada branco é tão grande que, se não fosse uma história de tolerância, poderia meter medo ao ponto loiro cercado de pontos negros. Este foi, aliás e precisamente, o primeiro filme de Hollywood realizado, escrito e protagonizado por afro-americanas.

Leve e superficial, Algo Novo relata o relacionamento entre um branco e uma negra da classe média alta e assume um registo discreto, simplificando as questões raciais e esvaziando as culturais, de modo a ficarmos apenas com um homem e uma mulher que gostam um do outro. Desta forma, as vozes que se levantam contra não passam de racismo balofo e, portanto, injustificável. Os brancos do filme não passam de outsiders, sujeitos a provas de admissão para se habilitarem a conquistar uma paixão com sabor a moka. Os negros são todos bem sucedidos e ricos, com um pretensioso e ostensivo baile de debutantes a coroar os excessos. A questão da raça cose-se com a do estrato social, com a protagonista negra a ter dificuldades em desligar-se da ideia preconcebida que criou de felicidade, alimentada por anos de selectividade e imaginação, ao ponto de rejeitar um blind date ao primeiro contacto, por este ser branco.

Em todo este esquema formulaico, o que escapa às grilhetas é simplesmente a simpatia do etéreo Simon Baker (protagonista das séries O Tutor e O Mentalista), capaz de alhear-se das nuvens negras que o cercam, com um mero encolher de ombros. Por outro lado, a frieza de Sanaa Latham (Alien Vs Predator e Out of Time) está tão enraizada nela que vê-la derreter não é uma construção facilmente credível. A realizadora Sanaa Hamri, marroquina de ascendência, faz aqui a transição dos videoclips para a sétima arte, sendo o seu filme seguinte Quatro Amigas E Um Par De Calças 2, o que revela uma tendência desdendente, confirmada pela passagem para a televisão, com a direcção de episódios de Anatomia de Grey e Donas de Casa Desesperadas.

Something New 2006
O Evangelho Segundo Cinéfilo

2 Comments:
eu gostei bastante do filme.
gostei quando ela tira as extensões e perde todo aquele ar executivo...
o amor entre os dois é muito giro, apesar de todos os problemas que isso gera.
Não é um filme brilhante, mas é giro
achei o filme muito água-com-açúcar. faltava-lhe apostar mais no seu objectivo. os amigos e as amigas dela era tudo gente fútil e ela era um anjinho loiro que para lá andava, de falinhas mansas e jardins bonitos.
não lhes vi a menor química aos dois nem porque é que ele foi tão insistente desde o início com ela - se não estava interessada, fosse à vida dele. ela não o queria para arquitecto paisagista mas ele insistiu e até baixou os preços. foi tudo muito forçado.
enfim, gosto imenso dele no Mentalista, mas este filme é demasiado mediano, não o az brilhar nem a ele, nem a ela nem ao seu romance. it's a bad romance, como diria a lady gaga.
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