Segunda-feira, Maio 03, 2010

Séraphine, de Martin Provost

Vencedor de sete Césares em 2009, incluindo Melhor Actriz, Filme, Fotografia e Argumento, Séraphine é um objecto intenso, capaz de absorver todo o vigor da personagem sem se lhe render, explodindo nas cores vivas das pinturas de um dos maiores expoente do movimento Naïf francês da primeira metade do século XX.

Foi na pequena localidade de Senlis, corria o ano de 1912, que o coleccionador e crítico de arte Wilhelm Udhe descobriu que a senhora que lhe limpava a casa de férias era mais do que um corpo disforme de expressão tonta. Aos 48 anos, Séraphine Louis era considerada uma envelhecida pobre de espírito, que desperdiçava o pouco que ganhava em material de pintura vulgar, comprado na drogaria local, e ninguém valorizava as suas arrojadas investidas em tela. Udhe viu-lhe o potencial, mas a Primeira Guerra Mundial obrigou-o a regressar à Alemanha natal. Passaram-se 13 anos antes que os dois voltassem a encontrar-se, numa relação de mecenato que não se provaria fácil, devido à natureza instável e visionária da pintora, que acabaria os seus dias num hospício.

Actor desde os anos 70, Martin Provost começou a realizar em 1997 (ignorando uma curta de 1992) e trocou a frente das câmaras pelo outro lado da objectiva, sem abandonar a pena. Séraphine é a sua terceira longa metragem, para a qual também contribui como argumentista. A sua abordagem a Seraphine de Senlis é forte e imaginativa, prendendo-se mais na História do que na arte. A chama de Yolande Moreau, como a pintora, é imensa. O filme não seria o mesmo sem ela.

Séraphine 2008

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