Humpday – Deu Para O Torto, de Lynn Shelton
Dois velhos amigos reencontrados, ébrios numa festa de contornos libidinosos, decidem participar num festival de cinema pornográfico com uma filmagem de sexo entre ambos, justificada pelo insólito de ser um acto gay entre dois heterossexuais. No dia seguinte, já de ressaca, em vez de avaliarem o absurdo da aposta indesejada, insistem na sua concretização.
Escrito, realizado e produzido por Lynn Shelton, Humpday brinca com a típica fobia homossexual dos heterossexuais. O filme foi filmado em duas semanas e concentra-se nos dois personagens masculinos, com a esposa de um deles a dar apoio. Com a simplicidade do argumento acima descrito, o maior risco que o filme corre é de tornar-se simplório, o que acaba por acontecer, inevitável em consequência do improviso integral dos diálogos.
Joshua Leonard (Projecto Blair Witch, 1999) e Mark Duplass são os actores que se predispõem à fantochada. Como não têm a menor justificação para o acto sexual que decidem cometer, lamenta-se a displicência das argumentações. É uma espécie de «porque sim» elevado a n, com repetições sistemáticas da mesma insensatez. O único casado dos dois amigos insiste até à exaustão que é importante para ele levar o projecto avante e que não sabe porque é que tem de ser um problema, mas nunca se percebe qual é realmente a importância. Decidiu, em estado de embriaguez, ser sodomizado em filme e depois não quer voltar atrás, ainda que o acto em si não lhe desperte a menor excitação. E achar que a esposa deveria aceitar essa decisão unicamente porque uma relação é feita de cedências é idiota, qualquer desatento já percebeu que a mulher não tem inclinação para o casamento aberto. A partilha do matrimónio, para ela (e para os demais) é a dois e não com terceiros. Ele não a convence. Nem ao público.
Humpday é, infelizmente, como ver roupa às voltas dentro de uma máquina de lavar. Um tema curioso atraiçoado por diálogos improvisados, ingénuos e repetitivos. O único segmento interessante é o clímax, passado no quarto de hotel onde o par decide gravar o seu filme. Essa cena vale toda a longa-metragem, quando a imaginação se torna realidade. Irão até ao fim, vão desistir, com que argumentação. Sim, porque uma mulher pode fingir um orgasmo, mas um homem nem sequer consegue fingir o entumescimento.
Humpday 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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