Ex-Mulher Procura-se, de Andy Tennant
A comédia romântica com pitadas de policial é uma fórmula como qualquer outra, mas que precisa dos ingredientes certos para funcionar. Neste caso, a Columbia Pictures limitou-se a adicionar raspas de cada item e nem se preocupou com o fermento. O resultado é, por isso, aguado e desenxabido.
A ideia para a história veio da conversa entre os vizinhos Neal H. Moritz (produtor de Velocidade Furiosa, 2009) e Andy Tennant (realizador de Hitch, 2005), um de cada lado da sua cerca. Provavelmente nenhum ouviu metade do que o outro disse, pois só assim se compreende que este filme se tenha efectivamente concretizado. Um caçador de recompensas divorciado, ainda com coisas entaladas na garganta, recebe a missão de capturar a ex-mulher, declarada fugitiva por um tribunal. Fica feliz da vida, mas a operação não vai ser tão simples como julgara. Ela, contrariamente ao imaginado, não é nenhuma criminosa, apenas uma jornalista com uma multa por pagar e uma investigação em curso que os vai meter aos dois em apuros. Claro que os verdadeiros vilões também não são grande coisa, tanto mais que o pior deles anda há década e meia atrás de melhores papeis e ainda só o recordamos de A Máscara (1994).
Veículo em piloto automático para os seus protagonistas, Ex-Mulher Procura-se banha-se na mediocridade de um romance sem a menor centelha e numa histtória policial sem qualquer sentido. Os abdominais de Gerard Butler feriam a vista de quem se sentasse na primeira fila de 300 (2006) mas, actualmente, não se vislumbram nem com óculos 3D. Jennifer Aniston continua apetecível, mas não parece que faça as delícias do seu acompanhante, nem os argumentistas se preocuparam em construir diálogos que fugissem à vulgaridade. Andy Tennant, contagiado pela pobreza reinante, dirigiu em conformidade.
Jennifer Aniston ficou famosa na série cómica Friends (1994-2004), mas antes disso entrou na série Ferris Bueller (1990), onde Andy Tennant teve o seu primeiro trabalho de realização. Mais tarde transitou para o cinema, com um veículo para as gémeas Mary-Kate e Ashey Olsen (It Takes Two, 1995). O único filme que se destaca minimamente na sua carreira é Hitch (2005), comédia romântica com Will Smith e Eva Mendes, mas depois disso já voltou a desiludir com O Tesouro Encalhado (2008).
The Bounty Hunter 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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