Segunda-feira, Abril 12, 2010

Ninja Assassin, de James McTeigue

Filme concebido em redor de um actor, Ninja Assassin é o resultado de Joel Silver e os irmãos Wachowski terem ficado impressionados com a agilidade do sul coreano Rain em Speed Racer (2008). Sabendo apenas que queriam uma história de ninjas e insatisfeitos com os primeiros esboços, acabaram por recorrer ao premiado J. Michael Straczynski (Babylon 5 e A Troca) quando se sentiram pressionados com os prazos. A menos de uma semana de começarem os castings, Straczynski aceitou a encomenda e despachou-a em 53 horas, com pouco sono e muito café à mistura. De certeza que não foi isso que o médico receitou a um homem de 55 anos, mas contrato é contrato, por mais contraproducente que possa ser à originalidade, coerência e inteligência de um argumento. Esse foi o segundo equívoco.

Depois de ter sido assistente de realização na trilogia Matrix (e em Speed Racer) e de ter assinado V de Vingança (2006), pode dizer-se que o neo-zelandês James McTeigue tem uma longa relação com Silver e os Wachowski e que estes lhe entregaram o projecto por amizade e desinteresse. A ausência de estrelas de primeira linha é prova de que ambição não estava nos seus pensamentos. McTeigue, inexperiente na área das artes marciais mas à vontade no conceito de entretnimento dos produtores, agradeceu a oportunidade e rodou Ninja Assassin como uma qualquer adaptação de comic book.

Em resultado da insónia de J. Michael Straczynski, Ninja Assassin não passa de um pastiche de clichés, com ênfase na visão ocidental do treino ninja, difundida por Frank Miller entre os anos 70 e 80, quando desenvolveu o Demolidor e Wolverine. Um clã de ninjas assassinos, composto por órfãos treinados por um mestre impiedoso. O herói é um desses órfãos, que visa expor a organização e matar o seu sádico líder. Toda a infância e adolescência do herói consistiram em lições violentas, para gáudio de muitos frustrados professores portugueses, que bem gostariam de aplicar as técnicas de disciplina do mestre Ozunu nas suas salas de aula. Na actualidade, o herói aparece do nada para ajudar uma curiosa agente da Europol (Naomie Harris), frustrar os planos do clã e matar o seu líder. Embrulhado em papel pardo e sem laçarote, está pronto para consumir.

Ninja Assassin não aposta no conteúdo, mas a forma também deixa a desejar. Enquadramentos cuidados sem uma estrutura que os sustente é um alimento que não enche a barriga e a primeira hora de filme é de tal modo embrutecedora que custa a levantar a pálpebra para o festival de sangue digital que vem a seguir. A única cena digna de nota, uma luta de um contra mil, funciona pela sua fluidez, mas um golpe é, em regra, quanto basta ao herói para eliminar os seus adversários, o que causa admiração: se, pelos flashbacks, pudemos verificar que ele nem sequer era dos alunos mais bem sucedidos, como é capaz de derrotar tão facilmente tantos colegas de turma? A sua aparente imortalidade também não é explicada.

O protagonista é interpretado por Rain (Jeong Ji-hoon de baptismo), cantor, bailarino, modelo e empresário de Seul que já representou para Park Chan-wook em 2006, no filme I’m A Cyborg But That’s OK. Sho Kosugi, o vilão, está habituado ao papel de ninja desde os anos 70, tendo inclusivamente representado contra Jean-Claude Van Damme em Águia Negra (1988).

Ninja Assassin 2009

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