Sexta-feira, Abril 02, 2010

Life Is Hot In Cracktown, de Buddy Giovinazzo

Life Is Hot In Cracktown é um composto de vinhetas passadas em ruas mal afamadas, bairros caracterizados por pobreza e droga, onde circulam personagens esquemáticas e estereotipadas, dispostas entre o estado de negação e a resignação. Baseado na sua própria compilação de contos, publicada em 1993, Buddy Giovinazzo tece uma trama de degradação chocante, mas cuja autenticidade se perde na gratuita falta de continuidade entre situações, que quedam estanques ou vagas sem que pareça haver a menor coesão do tecido relacional.

O mérito de Buddy Giovinazzo reside na incorporação dessa realidade de apontamentos vagos e mal desenvolvidos, escritos para Nova Iorque e filmados em Los Angeles, e no tratamento visual dado ao sórdido, ao medo e à tensão. O ambiente está lá, num perfeito showcase de desconforto e impressão. Há dez anos que Giovinazzo se tem dedicado à ficção televisiva alemã (influências do Uli Edel de Christiane F., 1981 e A Última Saída Para Brooklyn, 1989?), mas Life Is Hot In Cracktown é já a sua quarta longa metragem.

Alternativo e negro, Life Is Hot In Cracktown conta com as participações de Brandon Routh, Kerry Washington, Lara Flynn Boyle, Illeana Douglas e Evan Ross, entre outros. A diferença entre a versão comercial e o director’s cut consiste unicamente no prolongamento da cena de abertura, um gang rape sádico, tornado mais gráfico e chocante pela frontalidade do acréscimo de um minuto e vinte segundos. Os motivos urbanos da banda sonora da Matter Music adequam-se perfeitamente à narrativa.

Life Is Hot In Cracktown 2009

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