Quarta-feira, Abril 14, 2010

Combate Pela Verdade, de Paul Greengrass

A dupla Paul Greengrass e Matt Damon mudou o rosto do cinema de acção do novo milénio, de tal forma que 007 teve de se lhe adaptar, com Casino Royale (2006) a emulá-lo com deferência. E isto depois de Damon ter remoído que o primeiro Bourne da trilogia (A Identidade de Bourne, realizado por Doug Liman) seria o seu único, porque não queria ser visto como um herói de acção. Depois de Supremacia (2004) e Ultimato (2006), actor e realizador voltam a encontrar-se para um filme em território de guerra. Mas, o que correu mal?

Brian Helgeland, que esteve envolvido nas rescritas de Supremacia de Bourne, mas não teve o nome nos créditos, foi contratado para adaptar o livro Vida Imperial na Cidade Esmeralda: Dentro da Zona Verde, de Rajiv Chandrasekaran, jornalista do Washington Post. O argumentista, que em 1998 recebeu o Oscar por L.A. Confidencial e na véspera o Razzie por O Mensageiro, estreou-se com Pesadelo em Elm Street IV (1988) e os seus trabalhos em pior forma incluem A Teoria da Conspiração (1995), Payback (1999), Homem Em Fúria (2004) e Assalto Ao Metro 123 (2009). Mystic River (2003) é o seu ponto alto. Combate Pela Verdade ingressa na lista mais longa.

Depois dos americanos terem assegurado um segundo mandato a George W. Bush e de um ano de governação do seu sucessor, Hollywood nega categoricamente, pela primeira vez, a existência de armas de destruição maciça no Iraque. Que tudo não passava de um ardil já o tinham gritado Michael Moore (Farenheit 9/11, 2004) e sussurrado Eugene Jarecki (Porque Lutamos, 2005), mas faltava a ficção vir bater no ceguinho, no ano em que a Academia de Artes e Ciências premiou com os Oscares de Melhor Filme e Realização Estado de Guerra (2009), uma película cujos heróis preparavam o país de Saddam para a democracia.

Combate Pela Verdade podia intitular-se de Guerra no Iraque Para Imbecis. Preenche três quartos da sua duração com o protagonista a coleccionar evidências e a espantar-se com a dedução de que nunca houve armas de destruição maciça em solo iraquiano. O resto é uma conspiração em moldes infantis e uma correria às escuras onde se perde a única prova viva do embuste. A tortura e os maus tratos a prisioneiros são passados de raspão, a mostrar que é um filme de denúncia, apesar de tão tardio que se torna anedótico. Já agora, a culpa é toda do Pentágono e a CIA tentou resolver o conflito de forma pacífica. Só para que se saiba.

Paul Greengrass começou a carreira a filmar documentários em territórios armados, tendo inclusivamente vencido o Fantasporto com Domingo Sangrento (2002) e já se debruçara sobre o 11 de Setembro em United 93 (2006), obra intensa passada num dos aviões fatídicos. Combate Pela Verdade, porém, apanha-o distraído. Mais câmara ao ombro porque é imagem de marca, uns tiritos para o ar para mostrar que há acção e uma montagem feita em piloto automático. Antes isto que mais Jarhead – Máquina Zero (2005), suponho.

Green Zone 2010

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