Armored, de Nimrod Antal
Um grupo de funcionários de uma empresa de transporte de valores decide forjar um assalto às respectivas carrinhas blindadas, mas o golpe não funciona como imaginado. O primeiro trabalho do argumentista James V. Simpson deveria ter sido alvo de extensas rescritas, mas alguém encolheu os ombros e o húngaro Nimród Antal (Krontrol, 2003 e Vacancy, 2007), chamado à realização, limitou-se a transformar o texto em imagens funcionais. Que actores como Matt Dillon, Jean Reno e Laurence Fishburne (e Milo Ventimiglia como secundário) se tenham associado ao projecto só revela o quanto precisavam do cheque.
O descrédito de Armored consiste na impossibilidade de o herói ser capaz de realizar diversas acções de salvamento sem ser ouvido, só praticáveis a coberto da musculada banda sonora de John Murphy – que plagia Massive Attack (Angel) e Ennio Morricone (Frantic) – demasiado incansável para um filme onde quase não se passa nada. Surge irreal que o herói escape facilmente de uma carrinha sitiada, mesmo nas barbas daqueles que querem arrombá-la, sendo eles muito mais experientes na composição do veículo, e que percorra escadas de incêndio e patamares metálicos, às claras, sem ser avistado ou escutado pelos agressores. Terá um manto de invisibilidade? Mas, mais estúpido do que ter conseguido escapar, é que consiga regressar (e sem uma justificação não suicida para o facto).
Os maus têm uma janela de 40 minutos para simularem o assalto e concretizá-lo sem levantarem suspeitas. Quando o plano se frustra, o que ganham com a obstinação de acederem ao carro blindado? Não têm veículos de fuga nem um plano suplente. A cada minuto que passa, estão mais próximos de serem capturados, mas insistem no arrombamento. Desespero? Delírio? Armored deixa demasiadas questões de lógica em aberto e nem sequer sabe mascarar a questão com uma boa e velha injecção de adrenalina.
Armored 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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