Sexta-feira, Março 12, 2010

Um Sonho Possível, de John Lee Hancock

Regado generosamente de boa vontade, Um Sonho Possível é um filme com o coração no sítio certo, que contorna as dificuldades com uma indiferença que não chega a incomodar, porque não almeja mais do que a transportar uma mensagem e tem a desculpa de basear-se em factos verídicos. Família rica branca ajuda jovem pobre negro e este melhora os seus níveis de socialização e académicos e até assegura um futuro profissional brilhante.

Um Sonho Possível é construído de forma a motivar a caridade e a espalhar a boa nova. O jovem é calado e respeitador, corajoso e educado e a família de acolhimento tem, invariavelmente, a atitude cristã. Para não se espirrar com tanto algodão de nuvem, polvilha-se a narrativa com algumas dúvidas existenciais, tão discretas que quase passam despercebidas. Este é o calcanhar de Aquiles de Um Sonho Possível, um drama social sem pessoas más, em que todas as almas suportam a progressão e o desenvolvimento do pobrezinho. Mas esta aposta numa visão romanceada e simplista não afasta o facto de o problema central ser abordado com sensibilidade e humor suficientes para a mera menção de entraves ser quanto basta para que o equilíbrio se alcance.

O filme baseia-se no livro homónimo de Michael Lewis, que o dividiu entre lições de futebol americano e de vida, através da apresentação do caso real de Michael Oher. O filme pegou apenas no último. Julia Roberts rejeitou, em 2009, dois papeis que foram parar aos braços de Sandra Bullock e a fizeram muito feliz. Primeiro foi o blockbuster de verão, A Proposta, e Um Sonho Possível granjeou-lhe um Globo de Ouro, o prémio do Actors Guild of America e o Óscar de Melhor Actriz. Só de pensar que ela chegou a rejeitar o papel três vezes.

The Blind Side 2009

20 Comments:

Blogger Sam said...

eu adorei o filme, a Sandra esta fantastica, ser mandona fica-lhe bem (ja na Proposta esteve muito bem).
adoro a cena em que ele empurra o outro jogador e diz que o ia levar ao autocarro.

3/12/2010 1:14 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

pois, eu sabia que tinhas gostado.
é daqueles filmes que caminham na corda bamba, mas conseguem manter o equilíbrio. há um bocadinho de sacarina a mais naquelas tretas «obrigado, nunca tive uma cama minha, quanto mais um quarto meu», a filha e a mãe serem vítimas de más línguas por causa dele mas serem sobranceiras a isso... há ali muito romance, mas o filme passa sempre por cima dos defeitos. gostei, está giro e dá vontade de ajudar o próximo.

3/12/2010 11:59 PM  
Blogger Sam said...

eu disse-te que o filme era giro.
acho que ele consegue manter muito bem o equilíbrio e tem algum bom humor a mistura.

3/13/2010 12:29 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

sim, o filme emocionou-me em alguns momentos muito óbvios, o que significa que soube levar a água ao moinho. o realizador safou-se bastante bem. gostei da sandra. não é nenhuma interpretação de óscar, mas foi flawless.

3/13/2010 12:35 AM  
Blogger Sam said...

é um daqueles filmes em que é tudo muito natural.
sim, a Sandra está fantástica mas eu gostava de ter visto a meryl ganhar o oscar

3/13/2010 12:38 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

porquê a meryl? ela estava candidata pelo julie & julia e não a achei nada do outro mundo...

3/13/2010 12:49 AM  
Blogger Sam said...

a meryl porque gosto dela e já tá na hora de ela ganhar algum.

3/13/2010 12:51 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

está na hora de ganhar algum quê?

3/13/2010 12:59 AM  
Blogger Sam said...

batatas... não estávamos a falar dos óscares?

3/13/2010 1:01 AM  
Blogger Jackie Brown said...

Ainda não vi, mas duvido que Bullock mereça o oscar.

3/13/2010 1:04 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

é que ela já ganhou dois óscares, sam...

3/13/2010 1:17 AM  
Blogger Sam said...

e quantas vezes foi nomeada e perdeu?

a sandra ganhou o oscar e o razzie, é no mínimo curioso.

3/13/2010 1:20 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

é tão curiosa essa vitória como qualquer outra. os oscares são um prémio de politiquice e não de mérito.

entre as secundárias, qualquer uma merecia o oscar mais do que a mo'nique, que não vale nada, e a mo'nique levou o oscar e o globo de ouro.

3/13/2010 1:27 AM  
Blogger Sam said...

a mo'nique é o exemplo do poder da oprah na opinião publica e não só.

3/13/2010 1:30 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

e o poder da oprah é o poder da estupidez americana. a mulher não passa de uma teresa guilherme americana...

3/13/2010 1:34 AM  
Blogger Sam said...

estupidez ou não ela faz com eles o que quer.

3/13/2010 1:36 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

quem tem dinheiro sempre fez o que quis. e ela tem muitas amizades.

3/13/2010 1:37 AM  
Blogger Sam said...

pois é. quem oferece carros tem muitos amigos.

3/13/2010 1:38 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

pode comprá-los.

3/16/2010 12:29 AM  
Blogger Sam said...

claro, eu sou amiga dela se me der um tambem:P

3/16/2010 12:32 AM  

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