O Mensageiro, de Oren Moverman
Forma diferente de abordar o drama da guerra, O Mensageiro acompanha, em solo americano, dois militares destacados para a notificação de familiares das vítimas fatais do conflito no Iraque. Um deles é um jovem condecorado, acabado de regressar da sua comissão, e o outro é um veterano do Vietname e Tempestade no Deserto. Juntos, dão a conhecer duas gerações de solitários sem destino, que cumprem, na melhor das suas faculdades, a dura missão que implica assistir ao choque, às lágrimas, aos insultos e agressões de quem recebe a mais trágica notícia das suas árvores genealógicas.
O Mensageiro é um filme de forte pendor humano num território sem mapa, não opinativo relativamente ao exército ou à guerra, preferindo debater de forma quase documental a moralidade da sobrevivência.
Estreia como co-argumentista e realizador do jornalista israelita Oren Moverman, após impasse nas negociações com Sydney Pollack e Ben Affleck, revelou-se a escolha acertada. Moverman é invisível em todo o percurso de auto-descoberta dos personagens, dando espaço aos actores para brilharem com naturalidade. Ben Foster evidenciou-se em Sete Palmos de Terra e ataca sempre papeis complicados e exigentes, Woody Harrelson confirma que a idade é um posto e Samantha Morton vale todo o seu peso em talento. O público será contagiado pelas suas lágrimas, a dispensarem o artifício da cebola. Steve Buscemi é quem mais prejudica o filme, porque tem uma imagem demasiado icónica para desempenhar um anónimo e desgostoso pai notificado. Certas cenas ficariam melhor desempenhadas por desconhecidos.
The Messenger 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
7 Comments:
eu gostei bastante do filme.
é uma abordagem diferente de um tema que já começa a ficar demasiado gasto.
aborda a guerra sem falsos moralismos, o que já estava a fazer falta, até porque de opiniões sobre o exercito e a guerra já está o cinema cheio.
há um personagem no casamento que diz «apoie-se ou não a guerra, apoiamos as nossas tropas». o filme escolhe dois solitários, mas há tantos militares com família. acho que aqui há um certo moralismo, como se ir à guerra deixasse os militares sem forma de se relacionarem com civis, nomeadamente mulheres.
mas gostei de não haver duas reacções diferentes por parte de pais/esposas.
e tem mesmo de ser assim, apoie-se ou não a guerra os soldados estão la porque aquilo é a profissão deles.
eu tambem gostei, e é um lado que muitas vezes é esquecido.
mas apoias todos os profissionais de todas as profissões ou falas com a tua paixão pela farda?
sendo o trabalho deles, apoio, claro.
se estão a trabalhar, não precisam de ser apoiados, para isso têm o ordenado :P
mas eu apoio na mesma:P
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