Cada Um O Seu Cinema
Por ocasião dos 60 anos do Festival de Cinema de Cannes, foi comissionado a 36 realizadores a composição de curtas metragens com a duração de três minutos, representando 25 países, cuja missão seria expressarem algo inspirado no seu cinema de eleição. Nenhum estava inspirado.
Cinema de autor, com os seus tiques inevitáveis, multiplicado pelo número de envolvidos, dividido pelo tempo de antena. Os pequenos filmes mais não são do que meros apontamentos que testam a paciência do cinéfilo, tão breves que não chegam a contar histórias nem a transmitir sentimentos, sem oportunidade quase para criarem ambiente. Produto desigual e disperso, com uma montagem exasperante: em vez de concentrar os nomes dos envolvidos na ficha técnica do final, cada curta é separada pela ficha técnica do segmento anterior.
No seu todo, Cada Um O Seu Cinema é um espectáculo frustrante e aborrecido, sendo apenas menor o bocejo quando serve do monóculo a locais longínquos e inacessíveis, sejam eles na China ou na Índia. De resto, o cinéfilo comum já passou por experiências muito mais enriquecedoras numa sala de cinema do que aquelas invocadas pelos realizadores de serviço, entre os quais se encontram Takeshi Kitano, Nanni Moretti, David Cronenberg, Lars Von Trier, Gus Van Sant, Roman Polanski, Wim Wenders, Ken Loach, Atom Egoyan, Wong Kar Wai e Manoel de Oliveira.
Chacun Son Cinéma 2007
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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