O Delator!, de Steven Soderbergh
Se não existisse já um filme com o título O Mentiroso Compulsivo (1997), tal seria o título adequado a esta história sobre um homem baralhado que, entre a espada e a parede, construiu uma pequena mentira que foi descendo a encosta como uma autêntica bola de neve. Baseia-se no livro O Informador – Uma História Verídica, de Kurt Eichenwald (uma adaptação do seu livro Conspiração de Tolos, sobre o escândalo Enron, está já em produção, para estreia em 2011).
Stephen Soderbergh é um cineasta que ataca sempre de onde menos se espera. Surpreendeu tudo e todos com a sua longa-metragem de estreia, Sexo, Mentiras e Video (1989), mas desde então tem balançado na corda bamba, entre experimentais projectos pessoais (Kafka, O Falcão Inglês e Full Frontal) e rentáveis produções mainstream (Romance Perigoso, Erin Brockovich, Tráfico e os Ocean’s 11, 12 e 13).
O Delator! não passa de um pequeno fait divers, uma diversão para o realizador após o pesado Che (2008), uma ideia que saltou da cartola num momento de distracção, uma partida de ping pong com o seu amigo Matt Damon, que andava à procura de aceitação por parte dos seus amigos ladrões de bancos ao longo da trilogia Ocean’s. Agora, é o seu personagem o grande manipulador, conduzindo os eventos que conduziram à exposição de uma conspiração de fixação de preços entre vários concorrentes da indústria dos cereais, artimanha que acabou por revelá-lo como um mentiroso compulsivo, corrupto e bi-polar. Tratou como fantoches o FBI, colegas de trabalho e a família, construindo castelos no ar e fazendo conjecturas contrárias à lógica, para justificar cada passo que dava. O filme começa subtil e Soderbergh nunca deixa de ser um realizador atento a todos os pormenores cénicos, mas a história acaba por entediar até o mais paciente. Scott Bakula, com um penteado à Spock, também não favorece a produção.
The Informant! 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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