Ninja, de Isaac Florentine
Boaz Davidson é produtor de filmes de acção e artes marciais há vinte anos, mas nas duas décadas anteriores escreveu e dirigiu dezenas de fitas do género. Cumpre as duas primeiras funções em Ninja e confiou a realização a Isaac Florentine, a quem tinha entregue Só Um Será Vencedor 2. Florentine escolheu Scott Adkins para protagonista, porque já era hora de avaliar-lhe o talento.
Scott Adkins não tem o impacto imediato de Jean-Claude Van damme à estreia (Rendição Incondicional, 1986), mas lentamente vai deixando a sua marca no celulóide pontapeador. Pela primeira vez livre de pilosidades pouco abonatórias (Só Um Será Vencedor 2 e O Torneio, 2006 e 2009) e de latex (X Men Origens: Wolverine, 2009), Adkins apresenta-se como um homem atraente (algumas semelhanças com Ray Park, mas seria o irmão mais bonito) e com um físico fantástico, para além de não lhe faltar habilidade, elasticidade e rapidez. Talvez não carisma, mas pelo menos presença.
A história de Ninja é ridícula. Na última escola de ninjitsu do mundo (Japão), dois alunos destacam-se. Um é bom e o outro é mau. O mau é expulso e torna-se assassino. Um dia regressa para reclamar o título de mestre e a armadura sagrada. Mata o mestre, mas a armadura foi levada previamente para os EUA, para ser guardada. Quem a transportou foi o aluno bom e a filha do mestre. O assassino dá-lhes luta, obrigando o seu empregador a ajudá-lo com inúmeros capangas. No final, bom e mau lutam, sendo que, por o mau ter um fato protector, o bom apresenta-se com a armadura sagrada.
O facto de o título ser Ninja compromete por si só a qualidade da história, mas convida a boas coreografias de luta. Os combates contra múltiplos capangas numa carruagem de metro e no santuário cumprem pela excelente elaboração e execução, mas o vilão é demasiado magro para se impor visualmente e na luta final os rostos dos oponentes estão tapados e um espadachim com armaduras não é das coisas mais empolgantes; além do que, se o assassino queria a armadura sagrada, qual seria o seu interesse em enchê-la de mossas? Outra estupidez é a filha do mestre, que vemos treinar logo no início do filme, ser constantemente agredida por brutos, quando deveria ser capaz de defender-se; tudo bem que seja o interesse sentimental do herói, mas era dispensável fazer dela uma fraca.
Ninja 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
0 Comments:
Enviar um comentário
Links to this post:
Criar uma hiperligação
<< Home