Millenium 1: Os homens Que Odeiam As Mulheres, de Niels Arden Oplev
Apesar de ser o segundo maior best seller mundial em 2008, Stieg Larsson viu a sua trilogia policial Millenium ser integralmente publicada post mostem. O jornalista e editor sueco faleceu em 2004, vítima de um ataque cardíaco, o qual chegou a supor-se induzido, vivendo Larsonn há muitos anos sob ameaças várias, pelo seu trabalho de expor grupos extremistas de direita. O autor nunca casou com a sua companheira de vida porque a lei sueca obriga à revelação da morada de casal e tal era um risco de segurança. Larsonn conheceu o perigo, a violência e o medo de perto. Sabia do que o ser humano era capaz. E denunciou-o.
Os homens Que Odeiam As Mulheres começa com a investigação de um desaparecimento de há 40 anos, mas é muito mais do que isso. A intriga carbura de forma lenta, em crescente intensidade, de modo a conservar e intersectar dois rumos, dois personagens, dois mistérios. A realização do dinamarquês Niels Arden Oplev é fria e desconfortável, revelando um talento já premiado em conduzir o suspense e em não desviar o rosto nas cenas mais chocantes. Tem-se aquela já esquecida sensação de novidade, frescura e imersão num universo diferente que se teve com O Silêncio dos Inocentes e Se7en, duas obras primas do campo do thriller. O realismo da fotografia de Eric Kress e a partitura de Peter Fuchs garantem a envolvência de uma história que se prolonga para além da resolução do crime, que foca manchas e revela pessoas, que fala de sadismo de homens contra mulheres e da força destas em vingarem e sobreviverem. É um filme que fala de racismo como ódio puro, mascarado de elitismo para disfarçar que ninguém está acima de tornar-se uma potencial vítima.
No ano de 2009, toda a trilogia Millenium foi adaptada ao grande ecrã pela produtora escandinava Yellow Bird, com os dois últimos volumes a serem dirigidos por Daniel Alfredson. Mikael Nikvist e Noomi Rapace protagonizam os três filmes, como o jornalista de investigação Mikael Blomqvist e a hacker punk Lisbeth Salander. Negociações para a adaptação americana de Homens Que Odeiam Mulheres estão já em curso.
A adaptação do papel para o celulóide é bastante fiel, com a diferença de Blomqvist, no livro, ter mais oportunidades de brilhar sozinho, ao contrário do filme, onde Lisbeth dá mais cartas. Além disso, o romance espalha-se em direcções encurtadas ou ignoradas para concentrar o cinéfilo no fio condutor principal. Essa consistência não prejudica a essência da trama e permite a que novos leitores de Millenium, impressionados com o filme, encontrem surpresas inesperadas.
Män Som Hatar Kvinnor 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
5 Comments:
Millennium 1 é de facto um filme excelente. Não li ainda a obra que lhe deu origem, mas a sensação de thriller intenso e profundo é fantástica durante todo o filme. É um filme pesado, que não se deixa cair nas tendências americanas de aligeirar tudo... não se coíbe de ser violento nas imagens e nas palavras. Óptimo filme.
vou ver os outros dois milleniums, mas tenho pena de terem um realizador diferente.
E já viste os outros dois? :)
[para me envergonhares vais-me responder com dois links, não...? :)]
Eu sou desses novos leitores. Puseram-me o primeiro filme à frente, assim com um introdução de nada que deu ideia quase de uma bd, boa, mas bd, e de repente, aqui estou. Os outros dois já foram. Depois, a seguir ao primeiro volume, voltou a ir o primeiro, e o segundo depois de lido o segundo volume. Já podia ter acabado o terceiro, mas estou intencionalmente a retardar o fim, a ler tudo muito devagarinho, e a voltar atrás, e a fazer retrospectivas. Primeiro, porque sim, porque apetece. Mas sobretudo porque acho que vou entrar num terrível "cold turkey" quando acabar.
... quando acabar não sei se vejo só A Rainha no Palácio das Correntes de Ar, ou se faço uma overdose e vão os três de seguida.
Querida Manel,
A pedido de muitas famílias, aqui ficam os links :)
http://axasteoque.blogspot.com/2010/02/millennium-2-rapariga-que-sonhava-com.html
e
http://axasteoque.blogspot.com/2010/04/rainha-no-palacio-das-correntes-de-ar.html
Sim, vi os três filmes assim que ficaram disponíveis, os dois primeiros em Fevereiro de 2010 e o último em Abtil, porque só então saiu em DVD.
Não li os livros do Stieg. Quando saíram e se tornaram moda imediata, não lhes atribuí grande importância, as modas são passageiras e tenho tantos ainda para ler (o ano passado gastei 120€ na feira do livro, não tendo dado mais de 5€ por livro). quando li o primeiro filme senti o chamado dos romances, mas a 20€ cada um, vai lá vai.
ficaram de emprestarmos, não aconteceu, filmes vistos, história conhecida, deixa para lá.
reparei que gostaste especialmente do terceiro filme, o que não compreendo. eu achei que o primeiro é praticamente uma obra-prima e que os outros dois não são obras de cinema, são folhetins televisivos. mudança de realizador e de argumentistas, perda brutal de qualidade.
mas deixo-te ler as críticas, que são bastante mais profundas, já passou um ano que os vi.
Olha, tu podias era seguir este blog :)
espera...
manel, no FB tinha ficado com a sensação de que falavas dos filmes, mas o teu último parágrafo aqui leva-me a crer que leste os livros... mas ainda não viste os filmes?
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