Domingo, Fevereiro 14, 2010

12 Desafios, de Renny Harlin

Outrora um dos nomes mais quentes de Holywood, o finlandês Renny Harlin está reduzido à função de realizador de aluguer. Do sorrateiro Prisão (1988) ao espaventoso Pesadelo Em Elm Street IV (1988) foi um susto, assim como do terror à acção. Com Assalto ao Aeroporto (1992) cimentou Bruce Willis e com Cliffhanger (1993) reabilitou Sylvester Stallone. O seu casamento com Genna Davies, manequim e actriz em ascensão, foi a sua ruína. Dirigiu-a em dois flops, A Ilha das Cabeças Cortadas (1995) e A Profissional (1996) e não recuperou (mojo ou esposa). Deep Blue Sea (1999) poderia ter sido um sleeper promissor, mas foi rasteirado pelos efeitos especiais vergonhosos (o seu cardume de tubarões inteligentes regateou tanto o preço que mordeu o próprio rabo) e não houve construção de suspense que valesse ao idiota Exorcista - O Início (2004) ou a O Pacto (2006). Cleaner (2007) revelou-se competente mas banal e agora a WWE contratou-o para dar um segundo fôlego à carreira de John Cena (O Marine, 2006), wrestler e rapper entusiasmado com a sétima arte. Glenn Kane Jacobs (See No Evil, 2006) Stone Cold Steve Austin (Os Condenados, 2007), Paul Triple H Lavesque (Blade 3, 2004) e Bill Goldberg (Máquinas de Guerra – O Regresso, 1999), são alguns nomes que fizeram a transição, mas Dwayne The Rock Johnson (Rei Escorpião, 2002) é o único que ficou. John Cena? Não é desta.

Renny Harlin deve ter visto a ironia do paralelismo óbvio entre a história de 12 Desafios e a de Die Hard 3. A namorada do terrorista morre na sequência de uma perseguição movida pelo herói e o vilão regressa um ano depois para fazê-lo sofrer, através de um conjunto de desafios que aquele tem de resolver para salvar a esposa. Quando o herói percebe qual o plano por trás dos jogos, percebem-se as semelhanças. Desligar a electricidade e evacuar um quarteirão que incluía um banco era o plano por trás de Die Hard 3 e o que vale é que John Cena deve ter visto esse filme. Não a tempo de salvar o parceiro, mas para isso precisava de ter visto Speed (1994), que também é plagiado a contento.

Quase duas décadas depois de revitalizar Willis e Stallone, Harlin falha com John Cena, por causa do argumento e do desajuste do wrestler ao papel. O título original dava alguma esperança (um combate é dividido em rounds), mas o filme não apresenta um único confronto físico, apenas um culturista (que nunca tira a camisa) a correr de um lado para o outro. Para além de amolgar dezenas de carros, 12 Desafios inclui um autocarro, um carro de bombeiros, um eléctrico e um helicóptero. Quanto ao eléctrico, que pode parecer uma escolha incomum, recordo O Rochedo (1996) e Metro (1997).

Dar um cérebro a John Cena foi um erro demasiado ambicioso, que o corpo rejeitou. Por mais que o compositor Trevor Rabin (terceira colaboração com o realizador) se esforce por dinamizar a banda sonora, rapidamente se percebe que o percurso é feito numa bicicleta de manutenção, pedala muito mas não sai do sítio. Aiden Gillen, como o terrorista, tem a magreza que confirma o despropósito de Cena e Ashley Scott só tem de parecer assustada. As explosões fazem o resto.

Em suma, Renny Harlin esforça-se por dar ímpeto a 12 Desafios, mas competência e mise-en-scéne não chegam para equilibrar um protagonista sem carisma, uma história sem originalidade e um desenlace vergonhoso. Quão irrealista é o herói subir mais depressa ao telhado de um prédio do que um helicóptero levanta voo, ser electrocutado com duas pás desfibriladoras (as quais não requereram aquecimento) e continuar a lutar, o helicóptero não ter piloto ao volante mas permanecer estável o suficiente para que, do ar, herói e esposa possam mergulhar para uma piscina num telhado, dezenas de metros abaixo. Foi o que pensei.

12 Rounds 2009

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