Okuribito, deYôjirô Takita
O vencedor do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2009 é um drama sereno sobre uma arte desconhecida do grande público. Contratados por agências funerárias, os encaixadores são profissionais que conduzem o ritual de limpeza e purificação dos cadáveres, antes de estes serem colocados no caixão. A cerimónia, na presença dos familiares do falecido, consiste em lavarem, vestirem e maquilharem o cadáver, de modo a que a família possa despedir-se condignamente e guardar uma memória de harmonia face à perda.
Chegando a roçar o manifesto a favor dessa profissão, aparentemente não respeitada no Japão, por envolver tocar nos mortos, acompanhamos o regresso de um violoncelista de orquestra desempregado e da esposa dele à sua terra natal, onde é contratado para o que julga ser uma agência de viagens, mas revela uma natureza diferente, sem viagens de volta. As pinceladas de fundo são agradáveis e envolvem um violoncelo de criança e a ancestral linguagem da textura das pedras.
Dirigido com calor e humildade, o filme desenvolve-se lentamente, com personagens que ganham riqueza sem precisarem de falar, e dramas pessoais são ultrapassados com sensibilidade, sem se tornarem fastidiosos. Okuribito funciona como postal de uma cultura diferente da nossa, e é sempre simpático receber um postal inesperado.
Okuribito 2008
O Evangelho Segundo Cinéfilo
3 Comments:
É verdade o que você disse, realmente o filme apresenta uma nova cultura de uma forma muito interessante... Gostei bastante...
a cultura das casas de banhos, a do encaixamento, etc, são muito bonitas e vão rarenado com a industrialização do japão. filmes destes transportam-nos ao passado.
O interior de Portugal já perdeu todas as suas tradições.
Fantástico filme, já tive oportunidade de dissertar sobre DEPARTURES. Deixo o convite à tua apreciação do texto: http://sozekeyser.blogspot.com/2009/06/okuribito-departures-2008-de-yojiro.html
Abraço.
Enviar um comentário
Links to this post:
Criar uma hiperligação
<< Home