O Torneio, de Scott Mann
De sete em sete anos, o Torneio reúne os melhores assassinos mundiais numa localidade seleccionada pelos organizadores do evento e a sua missão é matarem-se uns aos outros até que apenas sobre o vencedor, para gáudio de apostadores que assistem a tudo através de um sistema fechado de câmaras. É o esquema básico dos videojogos de shoot em up, que já redundou em inúmeros filmes de argumento cansado, casos recentes de Corrida Mortal (2008) e Os Condenados (2007).
Apesar de revelar-se eficiente no enquadramento inicial e na criação da atmosfera, O Torneio falha onde tinha obrigação de resultar: na acção. Em vez de preocupar-se em cozinhar a meio gás dois sub-enredos (um dos assassinos quer vingar o assassinato da esposa às mãos de outro assassino; e um padre alcoólatra vê-se confundido com um dos concorrentes), que tiram momentum ao filme, Mann deveria ter-se preocupado mais com as injecções de adrenalina, com a criatividade e o orçamento das coreografias de violência. E também teria sido interessante que se rompesse o manto de invisibilidade entre o massacre de assassinos e o tecido banal da pequena cidade onde o torneiro tem lugar, que quase funciona como um armazém vazio, tal é a ausência de interacção. Quanto aos supostamente 30 adversários, 80% morre anonimamente nas trincheiras, não se assistindo senão aos combates entre os cinco que não assinaram contratos de figuração.
A fama de Kelly Hu teve o seu pico ao lado do Rei Escorpião (2002), mas esta beldade havaiana já tinha sido a primeira sino-americana a sagrar-se Miss Teen USA (1985) e a aparecer na capa da Maxim (naquele que foi o número mais vendido até essa data). O seu cinturão negro em karaté foi posto em evidência na série Lei Marcial (1999-2000), mas é tão mal aproveitado em O Torneio como o talento dos seus companheiros de dores. Quem viu Scott Adkins em Só Um Será Vencedor II e III (2006 e 2009), como Mutant X em Wolverine (2009) ou Ninja (2009) sabe que é um lutador e um acrobata magnífico, e Sebastien Foucan é um dos fundadores do desporto radical parkour, que tornou memorável a cena de abertura de 007 Casino Royale (2006); Ian Sommerhalder e Ving Rhames não se destacam e Robert Carlyle mostra porque é que ninguém aposta nele desde que James Bond o derrotou dez anos antes (007 O Mundo Não Chega, 1999).
O Torneio tinha uma ideia eficaz para triunfar no pequeno nicho do mercado da cordite, mas enforca-se na sua própria corda. A acção é banal e a tentativa de humanizar alguns personagens apenas serve para arrefecer o que já ia morno.
The Tournament 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
0 Comments:
Enviar um comentário
Links to this post:
Criar uma hiperligação
<< Home