Nas Nuvens, de Jason Reitman
A terceira longa metragem de Jason Reitman coloca-o, numa linha ascendente, literalmente nas nuvens. Depois de um relações públicas de uma tabaqueira (Obrigado por Fumar, 2005) e de uma adolescente grávida (Juno, 2007), o protagonista é agora um especialista em despedimentos. A sua missão é dar a notícia a funcionários de empresas clientes da sua, de modo a que a aceitem sossegadamente, sem fazerem cenas, processarem o empregador ou atentarem contra a própria vida ou a do superior hierárquico. É um tema sensível, dado o estado actual da economia americana, e Reitman (também co-argumentista) caminha na corda bamba durante todo o filme – não é fácil aguentar um herói que coloca no desemprego tantos quantos entram na sala de cinema.
Nas Nuvens é uma comédia dramática. A escolha de Rolfe Kent para a banda sonora aproxima-o dos filmes de Alexander Payne, nomeadamente About Schmidt (2002) e Sideways (2004), mas Jason Reitman ultrapassa a eficácia de Payne com uma afectividade própria. O seu personagem, o despedidor, vai descobrindo camadas em si que julgava não existirem, num constante fenómeno surpreendentemente agri-doce. Uma relação baseada em sexo que pode vir a despontar sentimentos, uma aprendiz a quem decide quebrar a crista mas por quem acaba por nutrir respeito e amizade, familiares que sempre tentou evitar mas podem muito bem ser as suas únicas raízes e uma filosofia muito própria de que tudo o que se tem na vida deve caber num trólei. É um herói cheio de defeitos, mas até as convicções de aço podem ser dobradas pelas perguntas certas.
George Clooney avança pelo filme como Ocean’s One, mas este é bem capaz de ser o primeiro trabalho onde mostra verdadeira vulnerabilidade (esqueçam a treta que foi Michael Clayton, 2007). Fisicamente, está magro e até abatido, o que fica bem para o papel, mas destoa do atlético dos tempos áureos e das lipoaspirações que foram indispensáveis para eliminar o que compôs para Syriana (2005). Anna Kendrick, conhecida pelas suas curtas aparições na saga Crepúsculo (nos três primeiros tomos, para já), está maravilhosa como a aprendiz e Vera Farmiga (Running Scared, The Departed, A Orfã) está sempre maravilhosa.
Com um genérico fantástico, Nas Nuvens apanha o seu público desde o primeiro instante, e mesmo o final inesperado e, para alguns de derrota, pode ter um efeito positivo se tiverem uma família com quem ver o filme. Para os outros, está na hora de fazerem por isso.
Up In The Air 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
29 Comments:
eu adorei o filme.
O Clooney está muito bem, mas de quem eu gostei mais foi da Kendrick(muito mal aproveitada na dita saga)que aqui está muito bem.
o filme tem pinceladas de humor encaixadas de forma perfeita nos momentos certos.
quanto mais penso no filme, melhor o acho. é daquelas comédias com uma ponta agri-doce, que nos fazem questionar a nossa vida ao mesmo tempo que a dos personagens.
e o final, em que o herói conseguiu o que queria no início, mas que agora já não é o que queria. é uma reavaliação de princípios curiosa, e foi bonito ver baixar a crista ao sempre convencido Clooney :)
Também amei a pequerrucha da Kendrick, ela tem muitas nuances e fá-las muito bem, especialmente quando faz beicinho e quando quebrou porque o namorado a deixou. lembrou-me a outra do shopaholic.
é mesmo isso, aquelas palestras com a mala são fantasticas e deixam-nos realmente a pensar.
o humor é inteligente, sem ser muito vulgar.
eu tambem gostei da sena em que o namorado acaba com ela por sms:)
ela surprendeu-me pela positiva.
o namorado acabou com ela por sms e ele disse-lhe que era quase como despedir alguém por videoconferência :D
sempre gostei da vera farmiga, é uma mulher com muito estilo. não sendo uma daquelas belezas imediatas, derrete-me. mesmo em filmes maus, como a órfã.
é desse tipo de humor que eu falo...
eu não me lembro de nenhum filme com ela(não vi a órfã) mas eu também nunca associo os actores a filmes que já vi.
aconselho vivamente este filme. e o final agri-doce ainda o melhora.
finalmente um filme de que tu gostas mesmo:P
sim, tenho visto filmes tão pindéricos que este me deixou mesmo nas nuvens :D
porque é fora do comum, porque o personagem convencido leva umas boas lambadas e vai custar-lhe a levantar-se, mas ainda assim há um lado dele de que gostamos, quase nem nos importando que a profissão dele seja despedir pessoas.
os secundários têm papeis de peso, as duas mulheres têm atitude e há lições para todos os gostos. é leve e pesado e vê-se de uma penada.
sim, gostei bastante :)
por isso mesmo é que eu falei, as tuas criticas tem sido tudo menos positivas.
o filme é mesmo bom, eu tinha-te dito:P
vê o blind side
sim, vou ver. acabei de ver o fame e estou a meio do the broken, depois a ver se vejo o blind side. mas eles são tantos que às vezes a selecção é quase a eito.
que achaste do Fame?
o the Broken eu também quero ver, mas espero pela tua critica:D
vou bater muito no Fame. do Broken ainda só vi uns 15 minutos e ainda não decidi, mas parece uma história de terror com pessoas iguais a nós que saem do espelho...
oh, eu adorei o Fame mas por ser animado. ser um bom filme pode ser discutível.
o mal da Fame é que quase não tem dança nenhuma e a que tem tem cerca de um minuto, com montagem.
o resto vem na crítica, que ainda não escrevi :)
eu acho que tem muita dança.
então escreve a critica que eu depois comento:D
OK. Mas olha que não. São coisas curtíssimas e montadas com cenas de falatório. o show final tem 4 minutos e muito do tempo é focado nos cantores e no público e não na dança.
sim, nisso concordo, o foco aqui é o canto, a dança fica um bocado para segundo plano e a representação é quase inexistente.
exactamente, canto e piano. o fame original sempre tinha uma violoncelista podre de boa.
era um filme mais humano, aqui não se percebe sequer que é uma escola a sério, que é preciso estudar e dar o melhor. toda a gente tem tempo para tentar a sua sorte por fora. um chavalo é vigarizado porque acha que vai fazer um filme, outros três querem lançar uma banda de hip hop, outra desiste do curso para ir dançar numa digressão, out6ra arranja um emprego na Rua Sésamo...
é como ir para medicina e desistir porque já se montou consultório ao 2º ou 3º ano de curso. mas que belo currículo, ficar com o curso a meio...
eu achei o primeiro muito chato, este é mais animado precisamente porque tem muita musica.
neste a escola perde um bocado o protagonismo e o mercado de trabalho ganha-o.
exacto, a escola perde o protagonismo e os personagens são de cartolina. em vez de mostrar 4 anos de curso a sério, rígido, a formar profissionais que depois mostrarão o seu valor no mercado de trabalho é tirar todo o sentido à Fame.
E 4 anos assim a correr não faz sentido. O Step Up passava-se em poucas semanas e tinha mais garra. E os protagonistas dançavam no show final, aqui não vemos nenhum actor do filme dançar. aparece um deles no final a receber palmas, mas nunca o vi dançar.
e os alunos de representação, não mostram o seu valor? e os alunos de música, limitam-se a fazer orquestra no último piso, sem que ninguém os veja?
e ensaios, nada?
estas a matar a boa imagem que eu tinha do filme, mas sim, tens razão...
é que para fazer um filme como o que eu vi não precisavam de chamar-lhe Fame, chamassem-lhe outra coisa qualquer. High School Musical 4...
não batas mais no ceguinho:P
já tenho medo dessa critica.
Be very afraid ... e eu que até me pus a fazer exercício a ver o filme, para me dar pica - gente profissional, bonita, a dar o máximo ao corpo - e afinal, nada disso.
ver filmes e fazer exercício ao mesmo tempo é obra, ainda tens de me explicar como é que consegues ficar atento as duas coisas.
cadeirinha de exercício de frente para a TV, um dumbbell de cada lado, o resto também à mão... não custa nada.
isso de treinar em casa tem as suas vantagens, realmente...
é do melhor. não se paga todos os meses, não se tem de fazer deslocações nem fazer bonito. e o banho em casa é melhor do que no balneário.
falta-me é o espaço que não tenho.
quanto ao banho em casa não é problema, eu tomo sempre banho em casa:P
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