Um Cidadão Exemplar, de F. Gary Gray
Gerard Butler do lado errado da lei, mas do lado certo da justiça, a querer vingar o homicídio da esposa e da filha contra o sistema judicial que não o defendeu, quando ele precisava de encerrar convenientemente o processo de luto. O magistrado do MP, em vez de levar os arguidos a tribunal, fez acordo com um deles para condenar apenas o outro, e isto para garantir o seu registo imaculado de condenações. Sim, é Jamie Foxx em mais um papel odioso. Dez anos depois, o viúvo tem um plano literalmente explosivo para curvar a cidade ao reconhecimento de que errou.
Passado em Filadélfia, berço da democracia americana, é um thriller capaz de manter a expectativa do cinéfilo e com suficientes reviravoltas para entreter, mas insatisfatório quando analisado em retrospectiva. O principal responsável pelo mau funcionamento do sistema judicial sai ileso, apesar do número de vítimas colaterais não ser irrisório. Eventualmente, esta raiva mal dirigida acaba por transformar o herói em autista e, como tal, a perda da razão coincide com o fim da boa vontade.
Tendo começado a carreira atrás das câmaras dos videoclips de Ice Cube e Outkast, F. Gary Gray chegou-se à sétima arte em 1995 e especializou-se em histórias de criminosos, com O Negociador (1998) a permanecer como o seu melhor título e Be Cool (2005) no outro extremo do espectro. O guião é de Kurt Wimmer, realizador de Equilibrium (2002) e Ultraviolet (2006), mas também argumentista de O Caso Thomas Crown (1999), O Recruta (2003) e Os Reis da Rua (2008). É a primeira produção de Gerard Butler, que durante os dois anos de pré-produção antevia interpretar o MP, mas mudou de ideias nas vésperas. Jamie Foxx, entretanto já contratado, aceitou a troca de papéis. Ainda bem, porque assim fica ausente a aura racista que, de outro modo, teria resultado, por o MP branco não se importar com o sofrimento da vítima branca. Agora, por explicar fica que o testemunho de uma vítima de tentativa de homicídio, que presenciou o brutal homicídio da esposa, não seja suficiente para condenar ambos assassinos; e que o MP faça acordos sem o consentimento da parte que defende.
Law Abiding Citizen 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
13 Comments:
O meu sentimento de "desconsolo" relativamente a LAW ABIDING CITIZEN também se prende com alguma ilógica no argumento e num final (não digo muito mais por receio de desabafar um 'spoiler') totalmente irrealista no que às leis do 'timing' dizem respeito...
Cumps cinéfilos.
sim, ainda os MPs estavam na Câmara e já o Butler regressava à cela, mas os outros tiveram tempo de se fazer à estrada e chegar antes dele, com uma mala cheia de explosivos que ninguém da Câmara inspeccionou e podiam explodir a qualquer momento...
chateou-me especialmente que nada tivesse acontecido ao MP. A Juiza ficou sem cabeça só porque deu fiança a um dos assassinos e o MP, que fez o acordo em vez de os levar a tribunal, acaba ileso, e também a sua família. A coitada da Leslie Bibb, que não teve nada a ver, foi pelos ares.
Enfim, é daqueles filmes em que se deve usar um pouco de cérebro, mas não todo.
Loool!
Ainda tentei não revelar esse pormenor do "quem-chega-primeiro", mas não tiveste meias medidas :p
E sim, verdade seja dita, o filme consegue cativar o espectador - há momentos brilhantes - mas o seu final é absolutamente "devastador"...
quem espreita os comentários de um blog de crítica de cinema está a fazer-se a levar uns spoilers :)
o final é mesmo triste. a meio, o butler começa a perder a boa vontade do público, porque parece matar desnecessariamente, mas pelo outro lado, não acho que o foxx tenha aprendido nenhuma lição. quando ele diz, enraivecido, que não fará mais acordos com assassinos, está a referir-se especificamente a butler e não a casos novos que lhe cheguem à secretária. e o facto de ir ver o teatro da filha não o desculpa em nada.
De qualquer modo, teria sofrido uma grande desilusão caso tivesse espreitado os comentários antes de ver o filme...
Relativamente às personagens, um thriller de acção nunca é pródigo em "profundas caracterizações psicológicas". Mas para uma obra deste género nem sempre é defeito: veja-se DIE HARD 4.0, que é, para mim, um dos filmes de acção mais satisfatórios dos últimos anos — com ou sem "coerência de personagens"... :)
a vida é cheia de desilusões, toma este filme como exemplo :D
qual é a falta de coerência do Die Hard 4? :D
a filha do mclaine é que levou sumiço. ainda vi um filme de dança com ela e puft.
Referes-te a Mary Elizabeth Winstead, certo?
Infelizmente, também não a tenho visto muito. Sei, com segurança, que ela era uma das "meninas" no DEATH PROOF, do Tarantino.
isso também eu sei, mas o death proof já tem 3 anos.
depois disso vi-a no tal filme de dança (Make It Happen) e puft.
Estás melhor informado do que eu porque, de trabalhos recentes, só me lembro mesmo do DEATH PROOF :)
Abraço.
vi-o e critiquei-o em abril 2009, é um filme de 2008.
http://axasteoque.blogspot.com/2009/04/make-it-happen-de-darren-grant.html
ainda se chegou a falar da miúda para Wonder Woman, mas morreu logo o rumor.
E agora me lembro de que ainda a vi no remake do Black Xmas, também aqui no axasteoquê registado.
black xmas:
http://axasteoque.blogspot.com/2009/06/ferias-assombradas-de-glen-morgan.html
Não conhecia os dois títulos e, a julgar pelas tuas palavras, não parecem ser filmes "essenciais" :)
Abraço.
o black xmas é péssimo, mas o make it happen tem algumas coreografias interessantes, para quem gosta de danças sensuais.
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