Invictus, de Clint Eastwood
Baseado no livro de John Carlin, Invictus é um drama biográfico sobre o período de tomada de poder de Nelson Mandela como Presidente da República da África do Sul e de como promoveu a união do país através da prestação da equipa nacional de rugby no mundial de 1995 da modalidade.
Apesar de ser um campeão da liberdade, Nelson Mandela percorre o filme como uma figura calculista, ainda que bem intencionada, que não se interessa por desporto mas se serve dele para eliminar a cisão entre brancos e negros, tensa desde a sua eleição. Simpático e frágil, para atenuar esse efeito de jogador de xadrez, Morgan Freeman passeia a segurança de quem já foi Presidente dos EUA (Impacto Profundo, 1998). Como carisma não se transmite por osmose, falta a Matt Damon, num cabelo loiro que lhe assenta tão mal quanto o tamanho, capitão da equipa nacional de rugby sul-africana, com metade da altura dos restantes jogadores, esses então a funcionarem como um todo amorfo e indistinto.
Clint Easdtwood, desta vez, jogou pelo seguro. Longe das obras-primas que foram Mystic River (2004) e Million Dollar Baby – Sonhos Desfeitos (2005) – para não falar de um Imperdoável com quase duas décadas (1992) –, avança em piloto automático, acompanhando o percurso da equipa até ao jogo final, pintalgando o cenário com os subtis retoques de marionetista do Presidente Mandela para aumentar o moral dos jogadores e o apoio nacional indiscriminado. A verdade é que, se não fosse uma história verídica, dispensava-se. O rugby é um desporto marginal e a realização não tenta torná-lo interessante, com as cenas dos jogos a resultarem avulsas e confusas. Os jogadores são uma amálgama em calções e T-shirt e Matt Damon é incapaz de dar-lhes rosto. Resta Morgan Freeman, sempre uma delícia, mas insuficiente para uma refeição completa.
Em conclusão, se a 2ª Guerra Mundial foi ganha num jogo de futebol entre a Equipa Nacional Alemã e um bando de prisioneiros indisciplinados, entre os quais Sylvester Stallone e Pelé (Fuga Para A Vitória, 1981), Nelson Mandela pode perfeitamente ter feito o mesmo pela África do Sul, através da sua equipa nacional de rugby. O título do filme provém de um poema homónimo de William Earnest Henley, de 1875, do qual Mandela terá retirado força diária para sobreviver ao cativeiro de 30 anos numa cela minúscula, na prisão de Robben Island, visitada como parte do treino.
No campo das curiosidades: a final do campeonato tinha apenas 2000 figurantes nas bancadas; a lotação foi esgotada com 60 mil fãs digitais. Quanto ao avião que faz um voo raseiro sobre o estádio, a produção transforma-o numa suspeita de atentado, quando na realidade houve autorização para a proeza. O último golo do jogo é marcado pelo actor Scott Eastwood, filho do realizador.
Invictus 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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