Hardcore, de Dennis Iliadis


O percurso de Martha e Nadia começa de forma interessante. Martha, veterana na profissão aos 17 anos, em pleno esgotamento nervoso, alimenta a depressão a invejar Nadia, favorecida pelos deuses e pelo patrão, e deixa-se enredar na teia de manipulação desta, que precisa de cúmplices para concretizar os seus planos de fama e sucesso. Infelizmente, e ainda que dramaticamente consistente, a originalidade perde-se em dois previsíveis homicídios e a partir daí é o descalabro da incongruência. O percurso ascendente da dupla roça a impraticabilidade e a sua condução é desastrada.

A escolha das duas actrizes foi acertada. Katerina Tsavalou (Martha) e Danai Skiadi (Nadia) têm representações firmes e marcantes, com a primeira a surpreender pelo seu desarmamento e entrega a uma personagem masoquista, em rota de perda de identidade e destino. Os seus corpos, desnudados a contento, expõem traços ainda em crescimento (apesar dos seios túrgidos de Katerina Tsavalou), o que reforça o choque da sua condição de prostitutas sem eira nem beira. Dennis Iliadis realiza com naturalidade a violência retratada e com punho firme os delírios pontuais, mas a recta final da história perde-se em passos ilógicos e num desfecho penoso e sem garra.

Hardcore 2004
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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