Terça-feira, Janeiro 12, 2010

Contacto Directo, de Danny Lerner

Saltando de desilusão em desilusão, Dolph Lundgren merece, pelo menos, pontos por não cruzar os braços nem se ter desleixado em termos físicos. Quase ninguém deu por ele em 007 – Alvo em Movimento (1985), mas Rocky IV, do mesmo ano, lançou-o no estrelato. Seguiram-se algumas vergonhas, como Mestres do Universo (1987) e O Escorpião Vermelho (1989), mas The Punisher (1989) e Dark Angel (1990) apresentaram-no como um actor minimamente convincente, e a sua veia cómica transparece nas parcerias com Brandon Lee (Showdown in Little Tokyo, 1991) e Van Damme (Máquinas de Guerra, 1992).

Depois de um papel secundário no flop Johnny Mnemonic (1995), seguiu-se uma carreira de mercenário em inúmeros territórios de guerra, em baixas produções com inúmeros nomes de leste associados, destacando-se o entretém de Silent Trigger (1996) e de Black Jack (1998), pela batuta dos has beens Russell Mulchay e John Woo, respectivamente. O improvável ressurgir de Sylvester Stallone, com Rocky VI (2007) e Rambo IV (2008), vai conduzir à sua reunião no filme Os Dispensáveis (2010). Uma também muito breve reunião com Van Damme regista-se em Universal Soldier: Regeneration (2009).

Independentemente dos méritos de Lundgren, que até já demonstrou um talento mediano como realizador numa mão cheia de títulos, Contacto Directo é uma coisa vergonhosa. Uma vez mais mercenário, o seu personagem tem de socorrer uma vítima americana de rapto e levá-la a porto seguro, evitando dezenas de atentados. O argumento é de tal modo esquemático, irrealista e decepcionante que se vê recheado de embaraços. Projecto claramente tarefeiro, caracteriza-se por matar figurantes aleatoriamente (tem-se a sensação de que todo e qualquer figurante é um alvo a abater) e misturar rodagem de estúdio com imagens de arquivo (rajadas que se revelam tiros cirúrgicos, motas que mudam de marca durante uma perseguição, duplos que não vestem a mesma roupa que os actores que personificam, cenas que começam de dia e subitamente se tornam noite, etc).

Com feições esculpidas em pedra e um cabelo de palha que já foi mais volumoso, Lundgren conserva um porte sobranceiro, mas é impossível apreciar a nulidade de Contacto Directo. Gina Mae, a donzela em perigo, é o refugo das Bond Girls e Michael Paré (Estrada de Fogo, 1984), outro duro da velha guarda, está apto para a reforma. Danny Lerner já assinou três filmes com «shark» no título (não confundir com Jaws) e bem podia ser comido por um, que não se perdia nada.

Direct Contact 2009

2 Comments:

Blogger Raphael Café said...

Olá Ricardo, tudo bem? Adorei teu blog!

Sou colaborador do site cinedica.com.br e gostaríamos de comentar que no dia 17 de janeiro, as 22 horas, iremos agitar um bate papo em nosso site em função da cerimônia do globo de ouro e gostaríamos muito de contar com a presença de vocês e de seus usuários.
Nosso site é feito por amantes e para amantes da sétima arte. Somos contra a pirataria e amamos falar sobre cinema.
Dia 17 é um dia especial pois a cerimônia será mostrada ao vivo via canal TNT e não existe um lugar onde quem curte essa premiação possa debater via mensagens, os acontecimentos, ao vivo, que se seguem.
Gostaríamos de saber se você pode nos ajudar com a divulgação desta nossa iniciativa.
Nós rodamos a internet para encontrar sites interessantes e que fazem parte de nossa filosofia.
Você pode conhecer um pouco desta idéia pelo link: http://www.cinedica.com.br/filmes/cinefest.php
Desde já agradecemos.

Atenciosamente, equipe CineDica.

1/13/2010 1:56 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

agradeço o convite e espreitei o site, mas vejo que é obrigatório registar-me para aceder.

de qualquer forma, são bem vindos a este blog sempre que quiserem.

1/15/2010 11:49 PM  

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