Captain Eo, de Francis Ford Coppola
Concebido para exibição exclusiva nos parques temáticos Disneyword da Flórida, Captain Eo é uma atracção 4D (animação 3D e efeitos em sala – fumos e lasers) que exigiu a construção de um auditório especial, capaz de albergar todo o equipamento indispensável à sua perfeita fruição, foi filmado com câmaras gémeas e, por parte do espectador, exige apenas o uso de óculos ridículos e muito boa vontade.
Captain Eo soma as presenças de Michael Jackson e de Angelica Huston, a produção de George Lucas, a realização de Francis Ford Coppola e os estúdios Walt Disney, mas é uma montanha que pariu um rato. Fica por determinar se o orçamento foi insuficiente ou os talentos envolvidos estavam demasiado fora do seu elemento, mas esta curta metragem de ficção científica tem a duração de 17 minutos e nem um se aproveita. Michael Jackson guincha demais para um comandante de nave espacial, os seus companheiros são um grupo horrendo de peluches e robôs desengraçados, as animações são suspeitas, a coreografia de dança é simplória e, das duas canções, só uma delas veio a ser comercializada (Another Part of Me, no álbum Bad); a canção principal, We’re Here To Save The World, é totalmente desinspirada. Tudo isto num orçamento de 17 milhões de dólares, o que perfaz o custo de um milhão por minuto.
À venda nas lojas de lembranças dos referidos parques temáticos, encontrava-se disponível, à época, o VHS do Making Of de Captain Eo, com uma duração de 46 minutos, narrado por uma enfastiada Whoopi Goldberg. Não continha entrevistas com nenhum dos nomes mencionados, mas Dolph Lundgren (no ano seguinte, 1987, protagonizaria a fantochada Masters of The Universe) dizia à saída do espectáculo ter gostado, salvaguardando-se com a desculpa de ser do primeiro filme 3D que vira. Captain Eo foi retirado de exibição em 1994.
Quanto ao significado de Eo, este era o nome da Deusa grega da manhã, na mitologia romana chamada de Aurora. Como a história do filme é a ida de Michael Jackson a um planeta dominado por um regime totalitarista e trazer harmonia e luz à sua realidade maléfica através de uma canção, poderá considerar-se que o Capitão Alvorada trouxe o dia a um planeta de noite.
Captain Eo 1986
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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