Substitutos, de Jonathan Mostow
Território Eu Robô que não aprendeu a lição. A história baseia-se na minissérie de banda desenhada de Robert Venditti (2005-2006) e conta com Bruce Willis, Radha Mitchell e Rosamund Pike, mas nada em Substitutos poderia salvar a honra da fábrica.
Michael Ferris e John D. Brancato são amigos de longa data, dois medíocres argumentistas de TV que ocasionalmente reduzem filmes a dejectos. Já em 1991 escreviam mistérios (Femme Fatale, The Unborn), numa parceria que avança a passos largos para duas décadas. Depois do sofrível A Rede (1995), onde eliminaram os registos informáticos da existência de Sandra Bullock, ganharam visibilidade quando David Fincher quis confundir o público, depois de ter tomado o mundo de assalto com Se7en (1995). Ao mais curioso projecto deles, O Jogo (1997), sucedeu-se a pobreza de Terminator 3 (2003) e Terminator Salvation (2009), com Catwoman (2004) pelo meio. Jonathan Mostow conheceu a dupla quando realizou O Voo do Anjo Negro em 1991, ainda Ferris e Brancato assinavam sob o pseudónimo conjunto Henry Dominic. Em 1997, Mostow escreveu e realizou o seu único filme decente, Breakdown (com Kurt Russell), mas o desempenho não se aguentou no filme seguinte, afundando o batráquio Submarino U-571 (2000). A situação não melhorou quando o trio se reuniu em Terminator 3. Nem agora.
Policial em território de ficção científica, Os Substitutos revela-nos um paraíso Cronenberguiano, um mundo onde a ligação entre os homens e as máquinas é tal que a interactividade humana, profissional e social, é feita por criaturas mecânicas, neurologicamente controladas pelos seus utilizadores através de estímulos à distância. A dependência nestes robôs tornou-se de tal maneira crónica que as pessoas deixaram de sair de casa. Mas alguém descobriu a arma perfeita, que provoca simultaneamente a destruição do robô e a morte cerebral do utilizador. É preciso resolver o mistério, apanhar o criminoso e questionar se é esta a realidade que melhor serve a humanidade. E tudo isto feito da forma mais rotineira possível.
Bruce Willis está velho, abatido e a peruca aloirada e de melena sobre a testa do seu substituto dá-lhe um ar amaricado. Radha Mitchell continua a ter tudo no sítio, mas o filme não lhe dá espaço para mostrá-lo, ainda que precise do seu invólucro durante a única cena de acção. James Cromwell é o inventor dos substitutos, como já tinha sido o dos robôs de Eu, Robô (nem Alex Proyas, em 2004, conseguiu salvar a imaginação dos contos de Isaac Asimov). Um dos piores defeitos de Eu, Robô residia precisamente na animação dos ditos, que não respeitavam as leis da gravidade com os seus saltos descomunais e força incomparável. Em Os Substitutos, estes sofrem da mesma cegueira por parte dos responsáveis Industrial light & Magic, outrora uma empresa de referência no campo dos efeitos especiais (Guerra das Estrelas e Indiana Jones), actualmente uma banalíssima criadora de efeitos ao nível dos de videojogo. Toda a cena em volta da boneca Barbie capaz de saltar por cima de automóveis em movimento, segurar-se a estes e dar cambalhotas em cima de autocarros enquanto se desvia do trânsito faz questionar porque é que a tecnologia dos substitutos é tão avançada e a indústria automóvel não progrediu. Aliás, se os substitutos são tão rápidos e resistentes, para que precisam as pessoas de carros, que mais parecem uma despesa supérflua?
Os Substitutos segue a linha de raciocínio da banda desenhada que lhe deu origem, divergindo casualmente para pior. O profeta dos humanos pode não ser tão humano como isso e o suicídio da mulher do herói ter sido branqueada. Mas é o costume, Hollywood exagera tanto em não querer arriscar, que acaba por perder qualquer competitividade. E o que dizer da falta de originalidade dos cartazes de promoção do filme, nítido plágio do mais marcante poster da série Terminator: Crónicas de Sarah Connor, com um tronco de robô de traços femininos suspenso no ar?
Surrogates 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
3 Comments:
O material de origem era bastante bom, pena que o filme em si teve um argumento demasiado vazio.
os argumentistas têm estragado tudo em que pegam. só se lhes escapa O Jogo, e mesmo esse na parte final encaixa demasiado bem para ser credível.
o bruce está péssimo e o visual do boneco também.
a história é pindérica.
não li a BD, tu gostaste?
Não quero ser do contra, mas, o filme atinge o objetivo proposto do público "fast-movie" = descartável.....porradas, banalidades etc e tal..... nesse contexto é nota 10.
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