Quinta-feira, Dezembro 17, 2009

Aquário, de Andrea Arnold

Da multi-premiada realizadora-argumentista de Wasp (Oscar de Melhor Curta Metragem em 2003) e Sinal de Alerta (2006), a segunda longa de Andrea Arnold mantém o estilo hiper-realista próximo do dos irmãos Dardenne e acompanha alguns dias marcantes na vida de uma adolescente problemática do Essex, na Grã-Bretanha, que sonha em vir a ser dançarina de hip hop. Já com o Prémio do Júri de Cannes 2009 debaixo do braço, Aquário é uma história intensa, escrita e realizada por Arnold, que a filma com uma câmara ao ombro que não podia estar mais perto da acção e dos personagens.

A protagonista, Katie Jarvis, foi descoberta pela agente de Arnold enquanto discutia com o namorado numa plataforma de combóio de Tilbury; após ter desistido do liceu, encontrava-se desempregada. Apesar de nunca ter representado, Katie Jarvis desenvolve com graciosidade um personagem exigente, ainda que pudesse ter tido algumas lições de dança, porque os vários showcases em que a vemos ensaiar são desoladores. Michael Fassbender já mostrou talento em Hunger, Eden Lake e Inglorious Basterds, registando aqui a intensidade necessária a que funcione a sua relação com Katie. Ele é um flirt da mãe dela que começa a manifestar afeição pelas respectivas filhas, mas com Katie os contornos mudam rapidamente de figura. Harry Treadaway (City of Ember) também entra.

Filme surpreendente pela sua abordagem ansiosa, eléctrica, crua e rude de uma realidade tão próxima, onde a falta de rumo pode levar aos piores resultados. Sem questionar as motivações dos personagens ou julgá-los, Andrea Arnold dá-nos elementos suficientes para que possamos fazê-lo nós próprios.

Fish Tank 2009

3 Comments:

Blogger @millah said...

cara vou assistir esse filme curto pacas filme de dança principalmente quando se trata de hip hop minha vida sempre foi dançar tenho um grupo de hip hop

7/05/2011 8:10 PM  
Blogger ArmPauloFer said...

Um filme dramático cujo retrato é muito cru e realístico, mas pleno de sensibilidade, coloca os factos com clarividência mas não julga (fica a tarefa para o espectador), conduz-se gradualmente tocante e torna-se marcante toda esta história.

A Katie Jarvis, não sabia que não era actriz, mas ela fez um papelão, carregando o filme às costas em grandes performances e conseguindo iludir que tem mesmo 15 anos, pois por vezes parecia mesmo uma menininha adolescente (e nas cenas em que dança e briga com as amigas rivais... parece mesmo) e quando foi necessário mostrou-se parecer mais adulta (na cena da festa da mãe em casa dela - quando a vemos ausente do seu "traje" habitual do di-a-dia).

Gostei bastante. Muito Bom. 8/10

4/23/2012 2:00 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

é um bom índie de câmara ao ombro. já só te falta o sinal de alerta, o anterior da realizadora, que é um excelente thriller.

4/23/2012 2:13 PM  

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home

hit tracker