Aquário, de Andrea Arnold
Da multi-premiada realizadora-argumentista de Wasp (Oscar de Melhor Curta Metragem em 2003) e Sinal de Alerta (2006), a segunda longa de Andrea Arnold mantém o estilo hiper-realista próximo do dos irmãos Dardenne e acompanha alguns dias marcantes na vida de uma adolescente problemática do Essex, na Grã-Bretanha, que sonha em vir a ser dançarina de hip hop. Já com o Prémio do Júri de Cannes 2009 debaixo do braço, Aquário é uma história intensa, escrita e realizada por Arnold, que a filma com uma câmara ao ombro que não podia estar mais perto da acção e dos personagens.
A protagonista, Katie Jarvis, foi descoberta pela agente de Arnold enquanto discutia com o namorado numa plataforma de combóio de Tilbury; após ter desistido do liceu, encontrava-se desempregada. Apesar de nunca ter representado, Katie Jarvis desenvolve com graciosidade um personagem exigente, ainda que pudesse ter tido algumas lições de dança, porque os vários showcases em que a vemos ensaiar são desoladores. Michael Fassbender já mostrou talento em Hunger, Eden Lake e Inglorious Basterds, registando aqui a intensidade necessária a que funcione a sua relação com Katie. Ele é um flirt da mãe dela que começa a manifestar afeição pelas respectivas filhas, mas com Katie os contornos mudam rapidamente de figura. Harry Treadaway (City of Ember) também entra.
Filme surpreendente pela sua abordagem ansiosa, eléctrica, crua e rude de uma realidade tão próxima, onde a falta de rumo pode levar aos piores resultados. Sem questionar as motivações dos personagens ou julgá-los, Andrea Arnold dá-nos elementos suficientes para que possamos fazê-lo nós próprios.
Fish Tank 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
3 Comments:
cara vou assistir esse filme curto pacas filme de dança principalmente quando se trata de hip hop minha vida sempre foi dançar tenho um grupo de hip hop
Um filme dramático cujo retrato é muito cru e realístico, mas pleno de sensibilidade, coloca os factos com clarividência mas não julga (fica a tarefa para o espectador), conduz-se gradualmente tocante e torna-se marcante toda esta história.
A Katie Jarvis, não sabia que não era actriz, mas ela fez um papelão, carregando o filme às costas em grandes performances e conseguindo iludir que tem mesmo 15 anos, pois por vezes parecia mesmo uma menininha adolescente (e nas cenas em que dança e briga com as amigas rivais... parece mesmo) e quando foi necessário mostrou-se parecer mais adulta (na cena da festa da mãe em casa dela - quando a vemos ausente do seu "traje" habitual do di-a-dia).
Gostei bastante. Muito Bom. 8/10
é um bom índie de câmara ao ombro. já só te falta o sinal de alerta, o anterior da realizadora, que é um excelente thriller.
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