Rudo & Cursi, de Carlos Cuarón
Dois irmãos que trabalham na apanha da banana são descobertos por um agente de futebol e iniciam carreiras promissoras, um como avançado e outro como guarda-redes, em equipas diferentes. Um deles sonha ser cantor, mas «tem a paixão sem ter o talento», como diria o agente, que é narrador em voz off (um versátil Guillermo Francella), e o outro perde uma grande soma ao jogo. No final, as equipas de ambos confrontam-se, mas o avançado está no banco por ter causado distúrbios no hotel e o guarda-redes tem de perder a partida para pagar as dívidas. Previsões?
Rudo & Cursi é um fiasco de proporções galácticas. Mais do que uma fita sobre futebol, é uma história de irmãos. E não só por causa dos protagonistas, mas porque foi escrito e dirigido por Carlos Cuarón, irmão de Alfonso, o realizador de Y Tu Maman Tambien, que escreveram juntos. Esse filme lançou internacionalmente Alfonso Cuarón e os actores Diego Luna e Gael Garcial Bernal, aqui repescados. Para Carlos Cuarón, que até à data só dirigira uma mão cheia de curtas metragens (escritas por si), Rudo & Cursi é um duplo tiro no pé; não extrai o menor lampejo de talento a Luna e Bernal e porque torna claro que só há um irmão com talento na família. Mais do que aborrecido, Rudo & Cursi é irritante. Os personagens não são empáticos e as reviravoltas da trama são desinteressantes em espiral descendente. O epílogo, então, é de bradar aos céus.
Deve ter sido duro prestar contas aos desiludidos produtores, todos eles com provas mais do que dadas no celulóide: Alfonso Cuarón (Harry Potter e O Prisioneiro de Azkhaban), Guillermo Del Toro (O Labirinto do Fauno) e Alejandro González Iñárritu (Babel).
Rudo & Cursi 2008
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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