Abraços Desfeitos, de Pedro Almodóvar
É impossível não sentir nostalgia em relação a uma época em que os filmes de Pedro Almodóvar eram plenos de sentimento, carga erótica e risco comercial. Teoricamente filmado segundo o estilo neo noir, enfatizando a tendência hard boiled dos anos 50, Abraços Desfeitos é um exercício vazio, desligado e desprovido de emoção. A história é sensaborona, os personagens não passam de fantoches a quem se deu à corda e os actores debitam os seus textos enquanto se questionam se deixaram o gás aceso em casa e o que vão cozinhar para o jantar. Tirando os fugazes e já sobejamente conhecidos seios de Penélope Cruz, não há absolutamente nada que fique na retina, e os referidos atributos, por muito que redondos e convidativos, não justificam o bilhete.
Pedro Almodóvar encontrou a consagração internacional em 1988, com Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos, (filme que lançou António Banderas no mercado americano), mas o percurso até aí fora já de um constante arriscar do formato melodramático (Lei do Desejo, 1987) e até do policial negro (Matador, 1986), sempre injectando os géneros de uma aberta homossexualidade que, inovadora e original para o panorama histórico da 7ª Arte, foi acarinhada e alimentada por público e crítica. Em 1990, a obsessão e a tensão sensual de Ata-me devolveu o realizador aos cenários íntimos e à certeza de que o sucesso não o roubara ao seu universo particular. Tudo Sobre A Minha Mãe (1999) e Fala Com Ela (2002) e catapultaram-no para o novo milénio, mas desde então tem apenas ondulado ao sabor do vento. Os seus três últimos filmes (A Má Educação, Voltar e) pecam por falta de ímpeto, coragem e decisão.
Se a maturidade do cineasta chegou com a calorosa superficialidade de Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos e Tudo Sobre A Minha Mãe é a sua obra prima, Abraços Desfeitos está longe de fazer-lhes jus. Com representações tão plásticas quanto as decorações e um classicismo bafiento na construção dramática, o filme move-se como uma sombra dos tempos áureos de um talento que aqui nem sequer aflora.
Los Abrazos Rotos 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
2 Comments:
Já eu tenho uma opinião diferente. Parece que em Los Abrazos Rotos, Almodóvar recuperou o que tinha perdido em Volver. As interpretações são fantásticas, o argumento e principalmente a fotografia, são das melhores coisas que encontro aqui.
as interpretações são o quê?
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