Sacanas Sem Lei, de Quentin Tarantino
Muitas opiniões contestatárias surgiram quando o americano Quentin Tarantino surgiu do nada e arrancou da mão dos franceses a Palma de Ouro do Festival de Cannes, em 1994, mas desde então as suas obras têm sido recebidas de braços abertos. Por mais inegável que seja a intensidade do cineasta, porém, é certo que Kill Bill Vol. I é muito superior a Kill Bill Vol. II, onde as suas qualidades de orador parecem vir ao de cima apenas no discurso final de Bill, a cargo do enforcado David Carradine. A originalidade era ténue, tanto mais que enterrar alguém vivo já fora o objecto de dois filmes de George Sluizer, um deles remake do outro (Spooloos, de 1988, e The Vanishing, de 1993, Desaparecida em ambos casos para o público português), e Tarantino insistiria ainda no artifício no episódio duplo de CSI, a fechar a quinta temporada da série.
Sacanas Sem Lei é o filme de guerra de Tarantino, depois da mencionada incursão nas artes marciais e ainda no terror urbano de Christine, o Carro Assassino (À Prova de Morte, 2007). Retirando o título à tradução americana do pouco conhecido Quel Maledetto Treno Blindato (1978), que por sua vez se baseava no clássico Doze Indomáveis Patifes (1967), toda a trama é original. Mas, assim como Almodovar parece ter perdido o toque, também Sacanas Sem Lei não sabe a glória. Mesmo misturando a Segunda Guerra Mundial com laivos dos western de Sergio Leone e a música nem sempre apropriada de Ennio Morricone (especialmente porque nenhuma foi composta para o filme).
A primeira cena abre o apetite, mas demora demasiado (intitulada 1º Capítulo, assenta praticamente num diálogo de 15 minutos) e acaba por perder a frescura. É aquela sensação típica de uma cerimónia de copo de água, quando tardam em conduzir-nos às mesas e os aperitivos já se esgotaram. O primeiro prato surge só decorridos 70 minutos e é servido num bar de cave, tendo o segundo prato mais pompa (um antigo teatro), mas menos sabor. No fundo, o mal do filme é a falta de discernimento da montagem. A duração é, seguramente, excessiva para as migalhas boas que conjura. A primeira versão do filme tinha três horas e dez minutos, tendo sido reduzido para duas horas e vinte e oito minutos nas vésperas da estreia. Consta que Harvey Weinstein terá solicitado, após o feedback da premiere em Cannes, o corte de mais 40 minutos, o que não veio a suceder. Tarantino dizia, em 2005, que o guião estava escrito, mas faltava-lhe um final à altura. Aparentemente, avançou sem ter havido progressos.
Filme poliglota, onde é falado inglês, francês, alemão e italiano, Christophe Waltz pronuncia-se em todas e tem, talvez, o papel mais bem esgalhado, de um saco onde todos são descartáveis. No extremo oposto estará Samuel L. Jackson, em registo meramente vocal, a narrar a origem de dois Sacanas e como Shosanna planeia concretizar a sua vingança. O filme-dentro-do-filme, Orgulho da Nação, foi filmado por Eli Roth (Hostel 1 e 2), que volta a participar como actor depois de o ter aparecido em À Prova de Morte. Brad Pitt, Michael Fassbender (a substituir Simon Pegg) e Daniel Brül, também dão um ar da sua graça. Os pés de Diane Kruger são mais bonitos que os de Uma Thurman.
Inglorious Basterds 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
29 Comments:
eu ainda não vi e não me inspira nada de bom:S
o comentario é so mesmo por causa daquela ultima frase da critica. uma palavra LOL
As críticas têm sido efusivas, mas o filme, apesar de interessante e bem feito, não satisfaz as expectativas. Ele é bom a escrever diálogos, mas o paleio aqui não é muito original.
A história tem as suas reviravoltas, mas não tão boas como no Pulp Fiction.
O Tarantino tem fetiche por pés, por isso mencionei. No Kill Bill eram os pés da Uma, no Jackie Brown eram os da Bridget Fonda (muito bonitos), no Aberto Até de Madrugada eram os da Juliet Lewis e da Salma Hayek, no À Prova de Morte eram os da ... you catch my drift.
pois, eu vi algumas coisas sobre o filme mas não me despertou o interesse.
ah, ok, achei que era so gosto pessoal mesmo... impressionante as coisa que tu sabes...
elas não são escolhidas por causa dos pés pois não?
acho que ele não é muito exigente com os pés, desde que se descalcem. os da bridget fonda e os da salma hayek são muito bonitos, os da juliet lewis e os da diane kruger são só bonitos e os da uma thurman, rosario dawson e sydney poitier são só sofríveis.
espreita aqui um mix do fetiche do tarantino.
http://www.youtube.com/watch?v=v8Nxp3G7mj8
tu e os pés:P
se tu dizes eu concordo, é das ultimas coisas para as quais eu olho.
va vi o video. concordo, algumas tem os pés bonitos, va,quase todas.
há quem ligue muito a mãos.
a pedicure e a manicure não têm só a ver com cuidados, mas com beleza.
mãos já é mais comigo:)
confesso que é das primeiras coisas pra onde olho.
vês? cada um tem os seus fetiches. eu então ligo muito pouco a mãos, a menos que sejam realmente fora de série. como é o caso das da Filomena Cautela.
no meu caso não é fetiche, os fetiches são outros:P
tenho uma tendencia natural para olhar para as mãos, há quem repare nos olhos...
não acho piada nenhuma a Filomena, nunca lhe reparei nas mãos:D
não era suposto TU gostares da Mena :P
quais são os teus fetiches? músculos e tatuagens?
ora essa, podia gostar:D
o sorriso.
gosto de tatoos mas para achar uma que goste não é facil.
musculo por musculo não gosto, tem de ser o pacote completo:P
então que fetiches são esses?
o sorriso é um fetiche?
no meu caso o sorriso é um fetiche, é uma das coisas que me cativa.
de resto fisicamente nao tenho nada que me fascine. acho bem mais importante outras coisas.
conta-me, que outras coisas?
tanta coisa...
para me provocar interesse tem de ser capaz de ter uma conversa decente, se não tiver, até pode ser um deus grego, pra mim perde logo todo o encanto.
ter ideias proprias e saber o que quer, ter sentido de humor...bem, ja percebeste, a lista é longa.
não precisas de continuar a descrever-me :D
eh eh, não era essa a ideia, mas sim tens razão.
lembrei-me de outra coisa, gosto de feitios complicados:P
feitios complicados... bem, deve haver para aí alguém que acha isso do meu. como deves ter reparado no lj ;)
e olha que não assim facil lidar contigo pelo que já percebi.
eu acho que atraio tudo que seja parecido comigo, como eu tenho um feitio muito complicado...
é fácil lidar comigo se:
a) não me pisarem os calos
b) perceberem que quando estou a brincar, não é para levar a sério.
a)pisarem-te os calos acontece quando?
b)nem toda a gente sabe a diferença e nem todos gostam de brincadeiras.
se é so isso entao não es tão dificil assim. eu sou pior.
Um dos filmes mais intensos do ano, muito marcante!
Caro, Ricardo, seu blog é muito interessante. Gosto de sua maneira de contextualizar cinema, abraço e te sigo!
É um dos filmes mais marcantes e icónicos de 2009. Tarantino num dos seus mais fantásticos filmes, num excelente cast e óptima banda sonora!
marcante? icónico? em que sentido?
reservoir dogs é um film noir impressionante; pulp fiction tem reviravoltas e diálogos excelentes, kill Bill vol 1 foi uma homenagem bem coreografada às artes marciais de hong kong e À prova de Morte tem suspense e perseguições automóveis impressionantes.
sacanas sem lei não tem nada disso. a cena no bar da cave está excelente e o resto faz sentido, mas é vulgar. o sapato deixado para trás, o taco de baseball, os escalpes, o teatro.
a ideia era o projeccionista morrer no incêndio? ele queria ser mártir? que sentido fez que o actor alemão matasse a shosanna? depois de levar 3 tiros nas costas, de onde veio a pistola e a força?
o final é tão previsível que se vê a quilómetros, enquanto o landa discursa para o rádio os termos da sua rendição, já se sabe coo vai acabar.
afinal, o que é que o filme tem de icónico? qual é o ícone? entre os melhores filmes de guerra de sempre, os sacanas vão ficar no top 10, no top 50 ou vão ficar em 101?
Oi Ricardo! Nada de acordo quanto à primeira sequência, achei a parte mais sumarenta do filme. Já quanto ao Christopher Waltz, assino por baixo. Será que o senhor vai ser nomeado para os óscares?
Flavio
www.emma49.blogspot.com
Concordo plenamente com Tiago, discordo veementemente de Ricardo e da tal (ou tal)SAM...parece ser a mesma pessoa....Ricardo,vc ñ precisa deste tipo de coisa....
Quanto ao filme, Tarantino é marca registrada da violência barata, mas, até concordo com o Ricardo mais suavemente....
O Ricardo, deve ser um daqueles criticos portugues, frustrados....Aliás,critico de cinema normalmente ´um tentador ou diretor anonimo de filmes b, q descamba para a critica...
Cara, nunca vi vc falar bem de filme nenhum.....caralio!!!!
...ia até me esquecendo.....O filme do Tarantino.....é uma ficção interessante, marcada de violência, mas aqui aceitável, haja visto, que violência maior não foi o nazismo? Então, vale enaltercer a resistência aludida neste filme de Tarantino, pois creio que tiveram um papel muito decisivo no término da segunda guerra mundial e dos canalhas seguidores de hitler e perseguidores de pessoas inocentes.
Ricardo, para reflexão....Viu, fiz uma critica construtiva do filme, pode não ser do seu gosto o filme, mas viu como muda pra caralio...a semântica, criticuzinho Ricardo, meu amigo e irmão...
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