A Última Casa À Esquerda, de Dennis Lliadis
É na antítese que pode comparar-se o remake de A Última Casa À Esquerda, que recupera um dos mais ineptos filmes de culto de terror dos anos 70. Porta-estandarte de mau gosto e incompetência cénica, a estreia de Wes Craven em 1972 cimentou-se à custa de muita publicidade e pelo facto de encontrar o público desprevenido.
História de sadismo bacoco, supostamente baseada na mesma canção sueca do século XIII que inspirou A Fonte da Virgem, de Ingmar Bergman (1960), A Última Casa À Esquerda tinha como mero mecanismo o choque, mas nem disso sabia tirar partido. Ao contrário da óptica do «são sádicos e está explicado» de Craven, Dennis Lliadis, realizador do remake, acerta com sensibilidade e segurança o peso e leveza a dar a cada momento, sentindo o pulso às emoções do espectador com a precisão de um técnico de som, sempre atento aos picos de volume. Ao choque, juntou melancolia, porque sabe que estamos a assistir a duas mulheres serem violadas e mortas e nada podemos fazer para evitá-lo; contornando o voyeurismo, Lliadis capitaliza na impotência da assistência e na sua sede de retribuição.
Através do esforço consciente e da dedicação aos mais ínfimos pormenores, a sua versão assenta num relato de coragem e sobrevivência, contrariando o determinismo dos cânones clássicos do horror adolescente, dos quais se retira que, por mais inocente, quem se mete na boca do lobo tem de ser punido pela prevaricação. Aliás, já o remake de Massacre no Texas (2003) premiara Jessica Biel pela sua resistência à ameaça canibal.
Impressionante pela intensidade na condução do suspense, o filme tropeça na execução do showdown climático. A querer evitar o facilitismo, torna-se pouco confiante nas reviravoltas e encerra o episódio com o bizarro de uma cabeça humana a explodir num microondas. Com todo um filme pautado pela credibilidade e pelo realismo, esta cena fica a abanar ao vento, deslocada do resto.
Quanto ao elenco, Garrett Dillahunt (O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford, 2007, e papeis recorrentes nas séries Deadwood, Os 4400 e Terminator: As Crónicas de Sarah Connor) é o maior trunfo. Aqui no papel de Krug, o líder do clã sociopata, Dillahunt sabe tirar partido da sua postura e, especialmente, do olhar; ele não é puramente mau, mas cauteloso e calculista. A sua maior preocupação é a liberdade e o anonimato, os eventos é que se precipitam e não é capaz de evitar a fúria. Os restantes estão bem, sem especial destaque. As maminhas de Riki Lindhome são a excepção.
O título é que continua por entender, visto que o próprio proprietário indica que a casa mais próxima fica a seis milhas de distância. Portanto, última casa à esquerda de quê?
Last House On The Left 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
18 Comments:
é um bom filme, mesmo para quem não gosta do genero, que é o caso, ele vê-se bem.
é uma especie de terror light tendo alguns momentos de "desconforto".
Impressionantemente a cena final foi a que me fez mais impressão, o resto aguenta-se bem.
eu acho que deviam cortar a última cena. não faz nenhum sentido, parece anedótica. se o médico o tivesse morto no nomento da luta, a quente, percebia-se. assim, na manhã seguinte, já com a mulher e a filha no carro, não faz sentido. e está filmada de forma diferente, não cose bem.
mas acho-lhe piada, explodir a cabeça do mau através de micro-ondas. ainda dizem que é um mito urbano explodir um gato dentro de um micro-ondas.
ainda bem que gostaste do filme, eu disse-te que era bom.
e reparaste em quem era a filha, a nadadora?
pois, a cena do micro-ondas foi um bocado estupida pk esta deslocada.
ja tou arrependida de não ter visto mais cedo, vale mesmo a pena, este tipo de terror eu aguento.
sim, reparei, mas não me lembro do nome dela.
e a cena da violação está muito bem feita, não é pornográfica nem grosseira. sentes a agressão e a violência, mas é quase trágica, melancólica. essa não era a intenção inicial do mau, as coisas é que se precipitaram e ele não soube como reagir à raiva.
não é como a violação do irreversível, por exemplo, que me deixou completamente indiferente.
pois, eu achei que essa cena me ia impressionar, não o fez, talvez por estar muito bem feita. esta mesmo perfeita.
mesmo o choque do carro está muito bem feito.
vamos a ver eu aguento mais do que julgava.
também gostei do acidente do jipe. só achei que o isqueiro do carro fosse provocar mais danos na cara da sadie.
ela mal lhe encostou aquilo a cara, não dava para provocar grandes danos.
ja não se pode dizer o mesmo do outro com a mão no triturador do lixo.
esse achei-o mal escolhido, é um tipo magro e sem o menor ar de criminoso. delinquente, talvez, a assaltar velhinhas.
a sadie é que tinha mesmo ar de sádica.
eu achei-o mais ou menos. a sadie sim, está muito bem. na cena do jipe, antes do isqueiro, ela tem mesmo ar de sádica. isso e quando segura a miuda, na violação enquanto o outro se limita a olhar.
e o que achaste do filho do mau? até era kidocho. gostei da cena do colar na chávena de café. no filme original a mãe vê o fio da filha ao pescoço do mesmo personagem.
ele até era fofito e esteve muito bem no final.
no inicio parecia meio autista, o que fez todo o sentido.
sim, tambem gostei dessa cena.
adorei a cena em que o medico tira a bala da filha e depois lhe faz o buraco para respirar.
autista, lol. ele era só tímido. mas, também, com um pai bruto daqueles, ou se tornava ainda mais bruto ou se retraía.
já leste a minha crítica ao original? http://axasteoque.blogspot.com/2009/08/aniversario-macabro-de-wes-craven.html
Se quiseres ver o filme, não leias o parágrafo em itálico, que é de spoilers.
precisamente por isso é que eu disse que ele estava bem.
sim, já li. até ja recomendei o teu cinemedonho a um amigo que adora filmes de terror. tu já sabes que eu mesmo não comentando leio sempre tudo:)
obrigado :)
sabes que o cinemedonho não tem nada de novo, limita-se a ser receptáculo só dos filmes de terror que posto aqui no axasteoquê.
mas para quem só quiser ver os filmes de terror, estão lá todos. a òrfã de hoje também lá vai parar :)
mas olha que A Casa original é dos piores filmes que alguma vez vi.
nos,por acaso, estavamos a falar de cinema e ele perguntou se eu conhecia alguns de terror, lembrei-me logo de ti. tenho de lhe perguntar se ja andou a ver.
se é dos piores filmes que tu viste eu dispenso.
obrigado.
se estás disposta a arriscar mais bons thrillers, tenho para ti O Padrasto, de 1987, com o john locke da série lost, e Henry Portrait of a Serial Killer, que é impressionante e vai mexer mesmo contigo.
Os anos 80 foram excelentes para o cinema de terror, são dessa década os melhores Pesadelos em Elm Street :)
hum, vou investigar isso. obrigada pelas dicas:)
um dia destes ainda me converto aos filmes de terror.
.....permita-me entrar nessa conversinha de "comadre", aproveita e assiste um ótimo filme de suspense/ação/drama e um toque inteligente de terror:
Law Abiding Citizen com Jamie Foxx e Gerard Butler (no Brasil Código de Conduta)
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